Muitos americanos sonham com uma renovação económica ao estilo Trump

Dolgeville, Estados Unidos, 17 Mar 2017 (AFP) - Dolgeville, uma pequena cidade de 2.400 habitantes ao pé das montanhas Adirondacks, sobrevive a duras penas: tem alguns comércios em sua rua principal e pequenas empresas, entre elas uma fábrica de bastões de beisebol, a única dos Estados Unidos.

Nesta região, longe dos centros urbanos de Nova York (350 km) ou Rochester (260 km), que deve seu nome ao industrial e filantropo do século XIX Alfred Dolge, dois terços dos habitantes votaram em Donald Trump. Muitos por medo de ver a cidade cair em ostracismo e os empregos desaparecerem, como aconteceu em 1999 na grande fábrica da cidade, da empresa Daniel Green, que produzia pantufas, e seus 700 trabalhadores.

Por enquanto, festejam: a posse do magnata que prometeu repatriar milhares de empregos na indústria para os Estados Unidos e que tem pressionado grandes empresas a manter investimentos no país os tem reconfortado.

Susan Fogarty, de 63 anos, que junto com seu marido abriu há 30 anos uma pequena empresa de ferramentas para as pessoas que trabalham nos bosques próximos, segundo ela voltou a recuperar o sorriso.

"Tínhamos muito medo de ter que fechar, porque já não podíamos prosseguir da forma que fazíamos nos últimos oito anos. Mas agora tenho a impressão de que vamos para algum lugar, que o país avança em um bom caminho", disse.

- Esperança -Concretamente nada mudou por enquanto. Mas "é o sentimento de esperança que faz que eu, meu marido, a meus filhos e netos acreditemos em um país onde as pessoas criam empresas", desabafou à rede de televisão Fox News.

Um de seus funcionários, Shane Morrill, estima que agora "as pessoas estão mais otimistas".

Ao restringir a imigração e a relação à economia, embora haja "muito por fazer", Trump "fez um excelente trabalho", disse o pai de três filhos, que cita como prova as altas de Wall Street nestas últimas semanas.

O prefeito republicano de Dolgeville, Bruce Lyon, de 75 anos, está também convencido de que "embora fale às vezes muito rápido", Trump "quer verdadeiramente preservar tantos empregos quanto for possível".

"Quando os 700 empregos de Daniel Green abandonaram Dolgeville, isso foi devastador", contou Lyon, que dirige a cidade há 15 anos. "Nos restam cinco ou seis empresas, são apenas 300-400 empregos, mas é mais do que teríamos se partissem, de modo que se pudéssemos mantê-los...", disse.

Na sua opinão, as pequenas cidades como Dolgeville também têm "uma necessidade crucial" dos investimentos prometidos por Trump para renovar a infraestrutura, como ponte que une as duas partes de su comunidade atravessada pelo rio East Canadian. Ainda mais porque sofrem por "falta de apoio" do governador democrata do estado de Nova York, Andrew Cuomo, mais atento às grandes metrópoles que o elegeram, segundo Lyon.

Após ter se mudado várias vezes, Wayne Dzierzanoski, funcionário há 18 anos na fábrica Rawlings de bastões de beisebol, não lamenta, contudo, educar suas duas filhas nessa região de lagos.

- Sonhos -A criminalidade é fraca e quando falamos de imigrantes, muitos pensam nos membros da comunidade religiosa Amish que há anos construíram granjas na região.

Como muitos, Dzierzanoski nutre a esperança de ver Dolgeville oferecer novas perspectivas de emprego e atrair novas atividades graças à renovação industrial prometida por Trump.

Ele gostaria de ver a fábrica de bastões, comprada em 2016 pelo conglomerado Rubbermaid e que emprega hoje em dia 35 pessoas, ampliar sua gama "repatriando outras produções" do grupo que hoje estão no exterior.

Cada um tem seu sonho. Tina Gorinshek, 53 anos, garçonete do Motors' In, o restaurante da rua principal, espera que durante os anos Trump o lugar volte a abrigar muitos comércios. Para poder "como há 25 anos, fazer minhas compras de Natal aqui".

Já o prefeito quer ressuscitar o grande edifício cinza que abrigava a fábrica de pantufas, hoje à venda.

"Se Donald Trump pudesse vir aqui e ter uma ideia de fazer algo... Quem sabe poderíamos voltar a fazer que ela funcione!".

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