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Bloqueio a carne brasileira é ampliado e crise se aprofunda

Brasília, 21 Mar 2017 (AFP) - Hong Kong se juntou nesta terça-feira ao bloqueio de carnes do Brasil, que perdeu seu principal mercado de cortes bovinos apesar de seus esforços para conter a crise desatada por suspeitas de adulteração de alimentos de origem animal.

A decisão de Hong Kong se soma às de China, segunda cliente de carnes de boi e de frango, e Chile. As compras desses três países representaram em 2016 40% das exportações brasileiras de carne bovina.

Em carne de frango, os envios para China e Hong Kong representaram 20% do total, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A autoridade de segurança alimentar (CFS) de Hong Hong anunciou a suspensão imediata de importações de carne bovina e de frango, "em nome da prudência".

Nesta terça, o Japão "suspendeu até novas notificações" o trâmite das importações de frango e de outros produtos, mas limitando a medida a 21 frigoríficos investigados, informou sua embaixada em Brasília.

A União Europeia (UE) havia anunciado na véspera uma medida similar, para o conjunto das carnes brasileiras. Já o México suspendeu a entrada de produtos com carne de frango até receber "garantias sanitárias". A Argentina comunicou um reforço de seus controles.

A Coreia do Sul suspendeu a distribuição de carne de frango importada do Brasil para verificar a qualidade da mercadoria, mas acabou anulando a medida.

A denúncia policial que revelou o suposto uso de ácidos e a adulteração de etiquetas para maquiar cortes vencidos atinge em cheio o Brasil, o maior exportador de carne bovina e de frango do mundo, e dois dos gigantes do setor, os frigoríficos JBS e BRF.

Além disso, espalha dúvidas em torno dos alimentos centrais da dieta dos brasileiros e ameaça os esforços do país para sair da recessão de mais de dois anos e se soma à crise de credibilidade provocada pela Operação Lava Jato.

O presidente Michel Temer voltou a ressaltar nesta terça-feira que este é um problema pontual, que não deve se estender a uma indústria que emprega seis milhões de pessoas e que no ano passado faturou mais de 13 bilhões de dólares.

Temer lembrou que dos mais de 4.300 frigoríficos que operam no Brasil, há somente 21 envolvidos em supostas fraudes, e que dos 860.000 lotes de carne comercializados nos últimos seis meses apenas 184 foram questionados.

"Nada melhor que mencionar números para verificar a insignificância dos fatos", resumiu durante um evento organizado pelo Council of the Americas em Brasília.

- Demissões e tensões diplomáticas -O governo informou que demitiu os funcionários denunciados e bloqueou a emissão de certificados de embarque aos 21 frigoríferos sob suspeita, em um esforço para tranquilizar os mercados.

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse na véspera que aguarda questionamentos de aproximadamente 30 países e deixou claro que uma ampliação do bloqueio pode ser desastrosa para o país.

O fechamento das fronteiras chilenas às carnes brasileiras resultou em uma tensão diplomática.

Maggi disse que esperava que o Chile suspendesse apenas suas importações relativas aos 21 frigoríficos sob suspeita e ameaçou uma "reação forte" do Brasil caso o bloqueio fosse total. Seu homólogo chileno, Carlos Furche, respondeu que seu país não atua "em função de ameaças" e aproveitou para reiterar seu pedido de informações oficiais sobre o escândalo.

A denúncia da Polícia Federal (PF) revelou um esquema em que fiscais sanitários recebiam subornos de parte de empresários para autorizar o comércio de carnes não aptas para o consumo humano. Houve mais de 30 prisões e três frigoríficos foram fechados.

A operação "Carne Fraca" também apontou subornos a partidos políticos, entre eles o PMDB do presidente Temer e seu aliado PP, que também estão envolvidos na operação "Lava Jato".

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