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Em um pub de Sunderland, clientes comemoram lançamento do Brexit

Sunderland, Reino Unido, 29 Mar 2017 (AFP) - Em Sunderland, terra pró-Brexit no nordeste da Inglaterra, moradores animados com o início nesta quarta-feira do processo de divórcio da União Europeia exortavam sua primeira-ministra Theresa May a impor suas condições.

"Somos nós que estamos partindo. Isto deve ser feito segundo nossos termos", declarou à AFP Tom Curras, um mineiro aposentado. "Devemos dizer a eles, 'estamos saindo, vamos fazer negócios com o mundo - é pegar ou largar", acrescenta ele que trabalhou na mina local, antes de ser fechada na década de 1980.

May enviou sua carta de rompimento ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, explicando querer estabelecer uma nova parceria "estreita e especial" com Bruxelas. Mas as discussões poderiam tropeçar na fatura de saída exigida pela UE, estimada em cerca de 60 bilhões de euros, e no acesso ao mercado europeu que os 27 estão dispostos a conceder a Londres.

Sunderland, cidade industrial de cerca de 275.000 habitantes, votou pelo Brexit (61%) durante o referendo de 23 de junho, quando o país decidiu pela ruptura com o bloco europeu.

Nove meses depois, o desejo de que o divórcio se materialize permanece forte.

"Não acredito que deveríamos ser dominados por outros países, o que é o caso", afirma Tom Curras, sentado no pub Wheatsheaf Hotel, no centro da cidade.

"A União Europeia foi criada como uma aliança comercial, mas tornou-se uma aliança política com pessoas que nos dominam", acrescenta ele, olhando na TV seu país virar uma página da história.

'Traidores'Diante de um punhado de pró-europeus agitando bandeiras europeias para expressar seu desacordo, o seu vizinho de bar Colin Haworth irrita-se, sentado na frente de sua cerveja.

"Por que há pessoas no centro de Sunderland acenando bandeiras europeias justo hoje, dia em que nossa primeira-ministra nos tirou deste acordo europeu? São traidores", reclama.

"Ganhamos ... e saímos. É simples assim", declara, antes de convidar os descontentes a "escapar da Europa".

Mas na cidade, onde a gigante japonesa Nissan instalou a maior fábrica de automóveis do país, o Brexit também provoca preocupações.

"A Nissan é uma grande empresa japonesa, para onde ela irá... Eu realmente não sei, espero que tudo permaneça o mesmo", afirma Wayne Teller, um homem de cerca de 40 anos e cabeça raspada.

Do lado de fora, o pequeno grupo de manifestantes grita: "Os europeus são bem-vindos aqui".

"O Brexit significa que vamos nos virar para nós mesmos e nos defender de não sei o quê", disse à AFP um deles, David Hardman, de 49 anos.

"É pensar que podemos fazer melhor, quando já poderíamos ter começado com o resto do mundo, já poderíamos ter feito tudo o que aqueles que defendem o Brexit reclamam", ressalta.

"Fazer parte da União Europeia significava ter um mercado no qual comercializávamos com sucesso e vamos perder grande parte disso", argumentou.

Paul Austin, barba branca e camisa azul nas cores da bandeira europeia, quer acreditar que "as pessoas vão acabar perceber que a UE nos oferece imensas vantagens em termos de direitos trabalhistas, proteção do meio ambiente, por exemplo, ou simplesmente pelo fato de trabalharmos juntos. Isso trouxe paz à Europa depois de duas terríveis guerras mundiais".

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