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Inflação da zona do euro cai em março abaixo da meta do BCE

Bruxelas, 31 Mar 2017 (AFP) - A inflação da zona do euro caiu em março meio ponto abaixo da meta do Banco Central Europeu (BCE), o que pode levar a instituição a continuar adotando medidas para estimular os preços, segundo dados publicados nesta sexta-feira.

Os preços ao consumo nos 19 países que formam a união monetária subiram 1,5% ao ano em março, segundo uma primeira estimativa do órgão europeu de estatísticas Eurostat.

Em fevereiro, a inflação havia chegado pela primeira vez desde janeiro de 2013 a 2%, um nível que o BCE considera como um sinal de boa saúde da economia, já que corresponde segundo ele à definição da estabilidade dos preços.

"A desaceleração da inflação em março dá argumento às 'pombas' do BCE - partidários de certa flexibilidade monetária e da manutenção dos juros baixos", assegurou Bert Colijn, analista do banco holandês ING.

Após a aceleração de fevereiro, os pedidos ao BCE para que interrompesse os estímulos monetários, sobretudo da Alemanha, onde a inflação chegou a 2,2%.

Para estimular a economia europeia, a instituição com sede em Frankfurt mantém há meses sua taxa de juros em níveis historicamente baixos e realiza compras maciças de ativos para injetar dinheiro barato no sistema, uma forma de aumentar os empréstimos e os investimentos.

Os dados de março "facilitam a postura do BCE na hora de manter sua política monetária", opinou Howard Archer, economista em IHS Markit, que prevê que a taxa de juros não mudarão em 2017.

Os analistas previam essa queda da inflação em março, embora não pensassem que ela seria tão acentuada. Os especialistas consultados pelo fornecedor de serviços financeiros Factset a estimaram em 1,8%.

'Efeito Páscoa'A primeira causa da queda da inflação é a redução da alta dos preços da energia no ano passado. Em março, esses preços aumentaram 7,3%, menos que os 9,3% de fevereiro.

O segundo motivo é a redução dos preços dos alimentos em março, que haviam aumentado muito em fevereiro devido ao inverno rigoroso.

Por último, a inflação foi influenciada pelo fato de que "a Semana Santa -que costumar fazer os preços de viagem disparar- cai em abril neste ano e não em março, como em 2016", observou Colijn.

"Isso faz pensar que em abril, a inflação pode subir um pouco, justamente porque terá o efeito Páscoa inverso", prevê Archer.

A inflação subjacente (que não considera a energia, os alimentos, as bebidas alcoólicas e o tabaco, produtos com preços voláteis) também caiu em março, para 0,7%, enquanto em fevereiro havia sido de 0,9%.

Os analistas da Factset previam um valor um pouco superior, de 0,8%.

"A forte desaceleração da inflação em março faz pensar que o nível de 2% alcançado em fevereiro foi um máximo que não voltaremos a atingir em muito tempo", disse Archer.

Segundo ele, a inflação terminará 2017 em torno de 1,5% e ficará entre 1,5 e 1,7% em 2018.

No dia 9 de março, o BCE revisou em alta sua previsão de inflação para 2017, antecipando um valor de 1,7%, frente ao 1,3% estimado três meses antes. Para 2018 prevê uma inflação de 1,6%.

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