Venezuela: dólar paralelo bate recorde histórico em meio a protestos

Caracas, 8 Mai 2017 (AFP) - O dólar paralelo na Venezuela atingiu um novo teto histórico, ao superar os 5.000 bolívares o dólar, o que representa uma desvalorização da moeda local de 9,87% desde 19 de abril deste ano.

Nesse dia, o dólar paralelo chegou a 4.601,57 bolívares, coincidindo com um grande protesto opositor contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

Desde então, a divisa teve altos e baixos até situar-se nesta segunda-feira em 5.105,71 bolívares, segundo o site web dolartoday.com.

O governo socialista monopoliza as divisas desde 2003, e só vende dólares a setores privados para importar produtos básicos como alimentos e medicamentos, a uma taxa 510 vezes menor que a do paralelo.

O restante dos bens são importados pelo setor privado com dólares do mercado negro. No país vigora outra taxa oficial para empresas importadoras de 719,30 bolívares por dólar, mas a oferta é muito limitada.

O economista Asdrúbal Oliveros vincula a escalada da divisa no mercado paralelo às manifestações opositoras que exigem eleições generais desde 1 de abril, e à emissão de dinheiro sem lastro.

"Há uma seca de dólares no mercado e há mais bolívares nas ruas (Maduro aumentou o salário mínimo 60% em 30 de abril), o que faz o dólar disparar. A incerteza política potencializa isso", acrescentou o diretor da consultora Ecoanalítica.

Maduro anunciou no dia 27 de março uma nova taxa de câmbio para aumentar a oferta de dólares para o setor privado e "vencer o dólar criminal", com dois leilões semanais; no entanto, a medida não se concretizou.

A Ecoanalítica prevê que o dólar paralelo fechará o ano em 8.100 bolívares.

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