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Toyota recua por iene forte e sem previsão de melhora em 2017

Tóquio, 10 Mai 2017 (AFP) - A Toyota registrou em 2016-2017 a primeira queda do lucro líquido em cinco anos e não prevê que a situação vá melhorar neste ano, embora o reforço do iene não seja o único culpado, admitiu seu presidente, mencionando "problemas estruturais".

No ano fiscal concluído em março, o resultado líquido foi de 1,831 trilhão de ienes (15,4 bilhões de dólares), ou seja, 21% a menos que em 2015-16. A tendência deve prosseguir este ano, de acordo com a Toyota, que prevê uma queda de 18%, a 1,5 trilhão de ienes, um valor muito abaixo das expectativas dos analistas.

"É uma derrota de dois anos consecutivos", lamentou o presidente do gigante do automóvel japonês, Akio Toyoda, em entrevista coletiva.

Após ter registrado lucros históricos nos últimos anos, o resultado operacional registrou queda de 30% no período, a 1,944 trilhão de ienes. Deste valor, 940 bilhões foram consequência dos efeitos do câmbio desfavorável. O dólar passou de 120 ienes em 2015/2016 a 108 ienes no ano passado.

As contas também foram afetadas pelo aumento dos gastos, em particular na América do Norte, onde a montadora se viu obrigada a intensificar as iniciativas de marketing para atrair clientes em um mercado em desaceleração.

A Toyota anunciou nesta quarta-feira previsões pouco otimistas apesar de um cenário mais calmo em relação às divisas: prevê uma queda de seu lucro líquido, um resultado 20% mais baixo, a 1,6 trilhão de ienes.

"O problema principal é que a Toyota se transformou em uma companha muito grande com vendas que superaram as 10 milhões de unidades" e uma estrutura inadaptada, declarou Toyoda.

A Toyota começou a revisar sua organização no ano passado para tornar a companhia mais rápida, "mas há quase 80 anos que compartimentamos as funções, motivo pelo qual (as mudanças) não podem ter um efeito imediato", acrescentou, pedindo "mais tempo".

O grupo prometeu continuar com as medidas para reduzir custos e endereçar suas contas. "As projeções são muito severas", admitiu Osamu Nagata, um dos vice-presidentes do grupo. "Se isso corresponde ao potencial real da Toyota, é extremamente frustrante, não é nada bom".

- Desafios nos Estados Unidos -Antes, a Toyota podia contar com a expansão de seu volume de negócios para investir sem que isso pesasse em suas margens, explicou Akio Tooda. Agora, as receitas ficam estagnadas (-2,8% no ano passado) e os investimentos necessários na tecnologia do futuro, em particular para a condução autônoma, continuam sendo importantes.

Toyota, que no ano passado ficou em segundo lugar no posto mundial, atrás da alemã Volkswagen, teve que enfrentar um retrocesso no mercado americano, que tradicionalmente é seu ponto forte.

A Toyota espera ter poucas vendas nos Estados Unidos neste ano, um mercado em que está em desvantagem em relação às SUVs, muito populares no país. Além disso, também esperam registrar uma queda no Japão, em um contexto de declive demográfico.

No total, e apoiando-se na Ásia, na América Latina, na África e no Oriente Médio, a companhia japonesa espera manter suas vendas em torno de 10,25 milhões de unidades de todas as suas marcas (Toyota, Lexus - luxo -, Daihatsu - pequenos veículos -, Hino - carga pesada) e com um volume de negócio quase estável (-0,4%), de 27,5 trilhões de ienes.

anb/uh/spi/jvb.zm/cc

TOYOTA MOTOR

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