Mercosul quer firmar acordo com UE para compensar 'protecionismo suicida'

Madri, 3 Jul 2017 (AFP) - Os países do Mercosul fizeram pressão, nesta segunda-feira, para fechar um acordo comercial com a União Europeia ainda em 2017. Essa seria uma forma de estimular sua economia diante do protecionismo definido como suicida nos dois lados do Atlântico.

Os chanceleres de Argentina, Uruguai e Paraguai e o ministro da Indústria do Brasil se reuniram em Madri com a comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström, no dia em que começa, em Bruxelas, uma nova rodada de negociações para destravar um acordo barganhado há 18 anos.

Numa coletiva de imprensa na Casa de América, na capital espanhola, a comissária reconheceu que há setores em que os acertos estão mais distantes, especificamente nos setores de agrotóxicos, denominações de origem e agricultura.

Esse último ponto, para o qual a chanceler alemã Angela Merkel previu negociações duras, é tão complexo que ainda não houve sequer a troca de ofertas.

O chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, disse à AFP que esse intercâmbio poderia acontecer em outubro, e apontou que a questão das denominações de origem está andando devagar: "Até agora, cada um só fez suas listas".

No entanto, Malmström reiterou o objetivo de se esforçar para concluir, até o fim do ano, um acordo político sobre um tratado de livre-comércio que configuraria um mercado unificando 760 milhões de pessoas dos dois lado do Atlântico.

"Nunca existiu um momento tão oportuno para assinar um acordo como esse", assegurou o chanceler argentino, Jorge Faurie. "Seria um momento político importante para o Mercosul", opinou o ministro paraguaio Eladio Loizaga.

A rodada de negociações, iniciada nesta segunda-feira, é a terceira desde o intercâmbio de ofertas comerciais entre UE e Mercosul, em maio de 2016. Caso dê resultados, a comissária europeia assegurou que exportadores europeus poupariam 4 bilhões de euros por ano em direitos aduaneiros.

O ministro espanhol de Relações Exteriores, Alfonso Dastis, afirmou que existe vontade política para chegar ao acordo e garantiu que, para seu país, "é a maior prioridade em política comercial, por sua importância estratégica e pelas oportunidades que vai criar".

- Guerra ao protecionismo -Os ministros do Mercosul defenderam o livre-comércio e um acordo que, se firmado, "será valioso diante do aumento do protecionismo que está sendo promovido por alguns países", como Estados Unidos, segundo o ministro brasileiro Marcos Pereira.

Rodolfo Nin Novoa definiu como "suicida" o protecionismo num país como o seu, que tem cerca de 3 milhões de habitantes, mas exporta para 30 milhões de pessoas. O uruguaio apontou que o acordo ajudaria a aperfeiçoar o Mercosul, um bloco com 79 barreiras não tarifárias, mas, até hoje, uma "paupérrima agenda externa", segundo ele.

"O acordo vai nos ajudar a aumentar a fluidez dentro do espaço do Mercosul", concordou o chanceler argentino.

Além da agricultura, o acordo enfrenta outra grande dificuldade: a instabilidade política no Brasil, agravada pelas denúncias de corrupção contra Michel Temer.

Malmström reconheceu que o país vive "uma situação muito frágil", mas confia que a estrutura do Mercosul vai ajudar a negociação a prosseguir, à parte das turbulências na maior economia do continente.

Outro obstáculo é o crescente receio popular diante de acordos internacionais, expresso no caso do Ceta, entre UE e Canadá, e do TTIP, entre Bruxelas e Washington, cuja negociação está paralisada.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos