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Empresas americanas levam o Dow Jones aos inéditos 22.000 pontos

Nova York, 2 Ago 2017 (AFP) - O Dow Jones, emblemático índice de Wall Street, superou nesta quarta-feira as 22.000 unidades pela primeira vez em sua história, impulsionado pelas empresas, apesar da ausência das reformas prometidas pelo presidente Donald Trump.

O Dow, criado em 1896, teve alta de 0,24% nesta quarta e fechou a 22.016,24 unidades, registrando seu sexto recorde seguido.

Antes mesmo que o Dow alcançasse a marca histórica, Trump já tinha se parabenizado pelo feito no Twitter. O presidente americano lembrou que, à época da sua eleição, em novembro, o índice estava em 18.000 unidades. Desde então, o Dow subiu 20%.

O mercado receava a administração de Trump, devido à sua falta de experiência e personalidade imprevisível. Sua vitória, contudo, abriu o apetite dos investidores, pois ele tinha prometido aumentar o gasto público, reduzir impostos e eliminar regulamentações a fim de estimular o lento crescimento da maior economia do mundo.

Entretanto, mais de seis meses depois de sua chegada à Casa Branca, as promessas de Trump ainda estão pendentes.

"Agora, se admite que essas reformas, se é que serão concretizadas, vão enfrentar muitas dificuldades e chegar mais tarde que o previsto", afirmou Gregori Volokhine da Meeschaert Financial Services.

O governo de Trump "deu confiança às empresas de que iria deixar de publicar regulamentações 24 horas por dia, como era com Obama", avaliou Maris Ogg da Tower Bridge Advisors.

Mas o mercado volta a se questionar diante de discordâncias entre os republicanos, que não aprovaram a reforma do sistema de saúde e deixaram dúvidas sobre a possibilidade de o Congresso aumentar o teto do endividamento do governo e até da reforma tributária.

O apogeu do Dow Jones é, acima de tudo, consequência do bom estado das empresas americanas, disseram analistas e investidores à AFP.

- Lucros após cortes -Para ampliar suas margens de lucro, as empresas intensificaram suas políticas de redução de custos. Agora, elas se beneficiam do bom desempenho da economia dos Estados Unidos e da Europa, conseguindo aumentar a receita.

"Em situações em que o crescimento mundial e a demanda ganham impulso, as empresas exportadoras americanas aproveitam a debilidade do dólar", disse Quincy Krosby da Prudential Financial.

O dólar caiu mais de 9% desde o começo do ano. Essa desvalorização favorece a competitividade das empresas americanas.

O escritório FactSet estimou que a quantidade de empresas listadas no índice S&P 500 que apresentaram resultados trimestrais melhores que o esperado superou a média dos últimos cinco anos.

Apesar de terem havido decepções, como a Amazon, os "pesos pesados" do Dow Jones deram força ao índice.

A Apple, empresa americana com maior capitalização na bolsa de valores, apresentou nesta terça-feira resultados trimestrais 5% maiores que o esperado pelo mercado.

As ações do grupo aeronáutico Boeing subiram 13% desde que divulgou, há uma semana, seu balanço, acumulando alta de 50% desde o começo do ano.

O ímpeto do mercado também foi sustentado pela eficiente rotação de investimentos, disse Krosby. E explicou: quando os valores do setor tecnológico caíam, os dos bancos ou do setor de energia assumiam seu lugar e subiam.

A manutenção das baixas taxas de juros nos Estados Unidos também ajudou o mercado. O Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano) mantém seu plano de endurecer gradualmente sua política monetária.

A presidente do Fed, Janet Yellen, admitiu, no mês passado, que possíveis mudanças de política econômica introduzidas por Trump são "uma fonte de incerteza" e por isso a entidade tem se mostrado cautelosa.

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