Vice-presidente do Equador nega ter recebido suborno da Odebrecht

Quito, 4 Ago 2017 (AFP) - O vice-presidente de Equador, Jorge Glas, negou nesta sexta-feira que tenha recebido subornos milionários da Odebrecht, como revelou José Conceição Filho, ex-diretor da construtora no país, ao jornal O Globo.

"Eu não tenho um centavo de dinheiro sujo no meu patrimônio", declarou Glas à imprensa em Guayaquil, para onde viajou depois que o presidente Lenín Moreno o retirou de suas funções.

José Conceição Filho, ex-diretor da Odebrecht no Equador, confessou ter pago pelo menos 14,1 milhões de dólares a Glas em troca de contratos com o governo, de acordo com o jornal O Globo.

Conceição, que se tornou colaborador da justiça brasileira que investiga a milionária trama de subornos de Odebrecht, disse que inclusive filmou encontros pessoais com Glas e um intermediário para sustentar suas afirmações.

As negociações dos subornos com o ex-CEO da Odebrecht no Equador se davam principalmente através de um tio do vice-presidente, o empresário Ricardo Rivera. Mas Conceição e Glas também se encontraram pessoalmente em várias ocasiões, acrescentou O Globo.

Glas, que desde 2007 foi responsável pelos setores estratégicos do Equador e a partir de 2013 se tornou vice-presidente, admitiu nesta sexta-feira ter se "reunido várias vezes com representantes" da construtora, inclusive para exigir "a reparação de obras".

Ele acrescentou que teve encontros com funcionários da Odebrecht para receber informes sobre "avanço de obras" e pagamentos pendentes por parte do Equador.

A Procuradoria equatoriana investiga a rede de subornos da Odebrecht após a revelação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em dezembro passado, de que a empreiteira pagou entre 2007 e 2016 cerca de 33,5 milhões de dólares a funcionários equatorianos.

Glas, que a oposição acusa de estar envolvido em supostos casos de corrupção não só com a Odebrecht, compareceu à Procuradoria para testemunhar sobre os subornos da construtora, que deixou uma dezena de detidos no país, entre eles Rivera (que por ter mais de 65 anos cumpre prisão domiciliar).

A Justiça, entretanto, ainda não formulou acusações.

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