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Escândalo da Odebrecht no México envolve ex-funcionário do presidente

México, 18 Ago 2017 (AFP) - O escândalo de corrupção envolvendo a construtora brasileira Odebrecht atinge o alto escalão do governo mexicano ao envolver Emilio Lozoya, ex-diretor da estatal Petróleos Mexicanos (Pemex) e ligado ao presidente Enrique Peña Nieto, o que poderá acarretar consequências políticas e econômicas.

Titular da Pemex entre 2012 e 2016, Lozoya deve prestar esclarecimentos ao Ministério Público nesta quinta-feira (17). Ele teria recebido propinas de 10 milhões de dólares da Odebrecht em troca de beneficiar a empresa em licitações, segundo o jornal O Globo, que cita um depoimento de Luis Alberto de Meneses Weyll, ex-diretor da empresa no México.

Lozoya negou nesta quinta-feira ter recebido os subornos e disse que não há provas contra ele.

"Na pasta de investigação não existe um só elemento de prova", disse categórico depois de depor voluntariamente para a Procuradoria.

Esse escândalo ameaça aprofundar a percepção pública de que o governo mexicano está tomado pela corrupção, perto da eleição presidencial de 2018, na qual o veterano de esquerda Andrés Manuel López Obrador, cujo discurso é orientado pelo lema "honestidade vs. corrupção", lidera as pesquisas antecipadas.

"A acusação contra Lozoya reforça o descontentamento contra a administração, que é estimulado pela percepção de que a corrupção é crescente", disse um relatório da empresa de investimento Eurasia Group.

Segundo o depoimento de Weyll, em março de 2012, em plena campanha eleitoral de Peña Nieto, ele teve seu primeiro contato com Lozoya, que era titular de vinculação internacional do então candidato.

Lozoya rechaçou as imputações no Twitter, definidas como "uma história absolutamente falha, dolosa e inexistente", e sustentou que não conhece o executivo da Odebrecht.

Em seu depoimento, porém, Weyll detalha até um café na Cidade do México, onde se encontrou com Lozoya, que teria recebido um pagamento inicial de 4 milhões de dólares.

"No início de 2012, constatei que Emílio Lozoya havia atingido posição de destaque no PRI (Partido Revolucionário Institucional, hoje no poder), que disputava as eleições presidenciais de julho de 2012, cujo candidato era o favorito nas pesquisas eleitorais", relatou Weyll aos procuradores brasileiros.

"Lozoya havia se tornado um dos líderes do comitê de campanha, razão pela qual provavelmente se tornaria pessoa influente na administração pública do país", afirmou.

Agora, a oposição pede que a Procuradoria investigue se as propinas da Odebrecht foram parar na campanha presidencial de Peña Nieto.

A Presidência mexicana afirma que a acusação é "absurda, irresponsável" e sustenta que os gastos de campanha foram auditados e não se encontrou nenhuma irregularidade.

- Ameaça aos investimentos -Além das consequências políticas, há o risco de que os investidores estrangeiros pensem que, para fazer negócios no México, seja necessário ser próximo dos altos funcionários.

"O que esse caso diz ao mundo é que 'se eu sou uma empresa e quero investir no México, a única maneira de fazê-lo e ser eficaz é se eu tiver um telefone de um alto funcionário'", disse à AFP o diretor de Anticorrupção do Instituto Mexicano da Competitividade (IMCO), Max Kayser.

O especialista comentou que essa percepção pode pesar até nas atuais negociações do Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), com Estados Unidos e Canadá.

- Sem punição no México -O México foi abalado por escândalos de corrupção que incluem supostos desvios de fundos de vários ex-governadores estaduais, entre eles Javier Duarte, de Veracruz, ex-membro do PRI e atualmente preso.

Um dos casos mais conhecidos foi o suposto conflito de interesse entre a mulher do presidente Peña Nieto e um importante empreiteiro do governo para a compra de uma casa de luxo.

A investigação oficial determinou que esse conflito não existiu, ainda que o próprio Peña Nieto tenha pedido desculpas à população publicamente.

O escândalo global de corrupção da Odebrecht mexeu nos círculos de poder e na política da América Latina, levando à prisão ex-presidentes e altos funcionários de outros países, como Colômbia e Peru, além do Brasil.

Os mexicanos têm a impressão, porém, de que no país não haverá punições aos responsáveis pelos atos ilícitos.

"A percepção é, por experiência, um caso atrás do outro, em que a única coisa que a autoridade diz é 'já abrimos a investigação' e, depois, parece que nunca dá em nada", conclui Kayser.

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