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Futuro das taxas de juros dos EUA é incerto após furacões

Washington, 18 Set 2017 (AFP) - Os dois furacões que atingiram os Estados Unidos em duas semanas afetaram seu crescimento econômico e lançaram dúvidas sobre a decisão do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) de aumentar novamente as taxas de juros em 2017.

O Comitê de Política Monetária do Fed (FOMC) abre, nesta terça-feira, sua reunião de dois dias. Economistas e analistas estão divididos, sem saber se os ciclones Harvey e Irma vão fazer o novo endurecimento monetário se concretizar só no ano que vem.

Após o índice CPI de inflação subir em agosto, os mercados especularam que um leve aumento das taxas seria possível em dezembro, a uma faixa de 1% a 1,25%.

Mas Satyam Panday, economista da Standard & Poor's, disse à AFP que esse dado não é suficiente. "A tendência subjacente da inflação ainda está muito abaixo da meta de 2%", disse.

- Preços ao consumo em jogo? -O índice CPI subiu 0,4% no mês passado e, no acumulado de 12 meses, teve alta de 1,9%.

Contudo, o impulso de agosto foi motivado pela volatilidade dos preços da energia. Desconsiderando esses valores e os dos alimentos, a inflação subjacente seria, então, de 1,7% - a mesma registrada em todos os meses desde maio.

Os membros do Fed insistem, há meses, que a baixa inflação persistente é fruto de fatores temporários, mas há seis anos a inflação subjacente medida pelo CPI nunca passou de 2,3%.

E o índice preferido do Fed, o de Gastos de Consumo Pessoais (CPE), se mantém em 1,4%. Excluídos os preços voláteis, permanece há mais de cinco anos abaixo de 2%.

Por outro lado, espera-se que, nesta semana, o Fed anuncie o início da redução de seu enorme volume de ativos adquiridos para estimular a economia após a crise de 2008.

O Fed disse que esse processo será bem gradual para evitar transtornos aos mercados, mas, de qualquer maneira, quer fazer isso em harmonia com as altas das taxas de juros.

- Impacto dos furacões -Os furacões Harvey e Irma poderiam ter custado aos Estados Unidos quase 0,5% de seu PIB no terceiro trimestre, porque diversos setores e empresas tiveram transtornos para funcionar, os preços da energia subiram e a contratação de funcionários foi afetada.

Contudo, economistas e funcionários dizem que os furacões não vão afetar a tendência de crescimento, na ordem de 2% nos últimos anos, e advertiram que a atividade vai obrigatoriamente se expandir, devido às obras de reconstrução e reparação de danos.

Mark Zandi, economista-chefe da Moody's Analytics, disse que os membros do Fed vão ignorar os impactos de Harvey e Irma, "porque sabem que são temporários".

O economista Tim Duy concorda. "Acho que ainda vai se manter a tendência a um aumento (das taxas de juros) em dezembro", disse à AFP. Ele acredita que há uma "quantidade suficiente" de membros do Fed que avaliam que a baixa inflação é transitória.

No começo do mês, William Dudley, influente membro do Fed, disse que, apesar de a baixa inflação ser surpreendente, o crescimento econômico constante pode estimular a alta dos salários e, assim, o Fed pode seguir a tendência de aumentar as taxas "gradualmente".

Zandi apontou que, com o desemprego "caindo drasticamente", a quase 4%, a inflação eventualmente vai subir. "É uma questão só de tempo", disse.

Além da decisão sobre política monetária, o Fed vai divulgar, na quarta-feira, suas projeções de crescimento econômico e do rumo das taxas, o que vai deixar mais claras as intenções do banco central.

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