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Negociações comerciais entre UE e Mercosul esperam oferta europeia

Bruxelas, 30 Set 2017 (AFP) - As negociações comerciais entre a União Europeia e o Mercosul vão viver uma semana crucial a partir desta segunda-feira, em Brasília, onde os países sul-americanos esperam receber uma oferta de carne bovina e etanol por parte dos europeus, divididos sobre esses produtos delicados.

Após um intercâmbio de ofertas em maio de 2016, a UE garantiu que completaria sua proposta agropecuária após as eleições da França e da Alemanha.

"Não apresentar a oferta seria terrível", admite uma fonte do Mercosul, sobretudo quando o objetivo é alcançar um acordo até o fim deste ano.

Nesta quinta-feira, em uma reunião em Bruxelas, a Comissão Europeia, responsável pelas negociações comerciais, propôs aceitar 70 mil toneladas de carne bovina e 600 mil toneladas de etanol por ano provenientes de todos os países do Mercosul, indicaram três fontes à AFP.

A proposta preocupou países com maior tradição agrícola. França, Irlanda, Bélgica e outros "garantem que não é a hora" de apresentar a oferta e pedem para fazê-lo "mais para o fim das negociações", de acordo com uma fonte europeia.

Outros oito países, entre eles Alemanha, Itália, Portugal, Espanha e Grã-Bretanha, consideram, pelo contrário, que "é um bom momento de avançar e propor algo aos países do Mercosul, para dar fôlego às negociações".

Nenhuma das fontes consultadas pela AFP confirmou se, na próxima semana, em Brasília, quando acontece uma nova rodada de negociações - já são mais de 30 -, a oferta europeia vai finalmente ser posta à mesa.

Bruxelas "ainda discute as ofertas aduaneiras" com os países, indicou nesta sexta uma fonte do executivo comunitário, destacando a vontade de "encontrar um equilíbrio justo entre a importância de seus produtos para nossos parceiros do Mercosul e a necessidade de proteger os interesses dos agricultores europeus".

- Memória de 2004 -Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, de um lado, e a UE, do outro, começaram a negociar seu Acordo de Associação em 1999, mas em 2004, após uma troca de ofertas que ambas partes consideraram insuficientes, as negociações ficaram suspensas por seis anos.

Ao serem retomadas, em 2010, os dois lados concordaram em melhorar as ofertas de 2004, explicaram fontes próximas às discussões.

A cota de carne proposta então pela UE foi de 100 mil toneladas de carne bovina anuais, mas a intenção em 2016 era de oferecer 78 mil toneladas, segundo essas fontes.

Apesar de a cifra ser menor, o principal sindicato europeu de agricultores Copa-Cogeca e eurodeputados franceses pediram para Bruxelas não fazer a oferta. "Essa proposta é um risco de mandar o setor bovino europeu para o matadouro", destacou o social-democrata Eric Andrieu em um comunicado.

- Assuntos pendentes -Desde a troca de ofertas em 2016, a discussão sobre o acesso ao mercado de bens, serviços e compras públicas ficou paralisada até que a UE complete sua oferta agropecuária. Mas isso não parou o resto dos grupos de trabalho, que já estão começando a chegar aos temas que terão que ser resolvidos a nível político.

Sem a oferta agropecuária europeia, "depois de outubro não teremos nada para fazer, acaba o universo de assuntos a nível técnico", explicou a fonte do Mercosul. Entre os temas abertos, ficariam questões sobre indicações de origem controlada.

Outra questão complexa é o acesso aos medicamentos. Os europeus querem maior proteção das descobertas de suas companhias farmacêuticas, mas os países do Mercosul interpretam a questão de uma ótica da saúde pública, segundo a mesma fonte.

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