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FMI diz que América Latina vai crescer, apesar de crise na Venezuela

Washington, 10 Out 2017 (AFP) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a América Latina e o Caribe vão crescer levemente em 2017 e 2018, exceto pela Venezuela, onde estima retração de mais de 10% e inflação galopante - de acordo com nova projeção da economia mundial publicada nesta terça-feira (10).

Em seu novo Panorama Econômico Mundial, o FMI projeta um crescimento de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para a região em 2017, apesar de alertar para a disparidade entre os países e para a aguda recessão na Venezuela.

"A intensificação da crise política na Venezuela pesa muito sobre a atividade econômica, que se espera que se contraia mais de 10% em 2017, enquanto diminui a produção petroleira e aumenta ainda mais a incerteza", indicou o Fundo.

Além disso, a inflação da Venezuela está em franca ascensão. Em seu informe, o FMI indicou que, no ano passado, foi de 254,4%, mas, para 2017, prevê 652,7% e, para 2018, 2.349,3%.

A Venezuela atravessa uma grave crise econômica desde 2014, quando caíram os preços internacionais do petróleo, fonte de 96% de suas divisas. A queda gerou uma escassez de alimentos e remédios e foi agravando a situação política, deteriorada no último ano, com protestos opositores que deixaram 125 mortos.

Em seu informe, o FMI voltou a estimar um crescimento econômico regional de 1,9% para 2018, em linha com sua projeção de julho e com a recuperação da economia mundial, mas em queda em relação às previsões de seis meses atrás.

"Apesar de o crescimento se manter na América Central e se fortalecer em meio ao Caribe, a demanda interna em grande parte do restante da região continua mostrando baixo rendimento, e alguns fatores de idiossincrasias desempenham um papel crucial na conformidade de perspectivas substancialmente diferentes entre os países", apontou.

Entre esses fatores, além do caso da Venezuela, o FMI mencionou as incertezas no México vinculadas à renegociação do Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), a persistente instabilidade política no Brasil e a implementação do acordo de paz para dar fim a mais de médio século de violência interna na Colômbia.

- Brasil e Argentina superam recessão -O Fundo também disse que Brasil e Argentina se encaminham para o fim da recessão, destacando o aumento das receitas na economia brasileira, em "terreno positivo" na primeira metade do ano, e a alta dos investimentos no cenário argentino.

"Depois de entrar em terreno positivo na primeira metade de 2017, espera-se que o crescimento no Brasil seja de 0,7% para este ano e de 1,5% para 2018", indicou, ao atribuir a expansão a "uma colheita excelente" e a "um impulso ao consumo".

Contudo, o organismo alertou para a debilidade do investimento e a alta de confiança política, que levaram à redução de 0,2% do prognóstico do PIB para 2018, e disse esperar que a "restauração global da confiança" de reformas para garantir a sustentabilidade fiscal faça o PIB crescer 2% a médio prazo.

Sobre a Argentina, o FMI também demonstrou otimismo, ao projetar um aumento do crescimento de 2,5% em 2017. O Fundo atribui a melhora a uma alta dos salários reais, que aquecem o consumo, e a um maior investimento em infraestrutura, assim como ao aumento da demanda externa, que beneficia a exportação.

"Espera-se que o crescimento se mantenha por volta de 2,5% em 2018", disse.

Para o México, o FMI destacou que, apesar do leve crescimento previsto, de 2,1% em 2017 e 1,9% em 2018, a expansão acima do esperado nos últimos trimestres mostra uma recuperação da confiança dos mercados financeiros e permite esperar um PIB ainda melhor a médio prazo.

Para a Colômbia, o FMI espera para 2017 um crescimento de 1,7%. O Fundo alerta que os acordos de paz, bem como o aumento dos gastos em infraestrutura e as reformas fiscais, geram a expectativa de um aumento de 3,5% a médio prazo.

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