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Trump nomeia Jerome Powell para presidir o Federal Reserve

Washington, 2 Nov 2017 (AFP) - O presidente Donald Trump nomeou nesta quinta-feira (2) o governador do Federal Reserve, Jerome Powell, para comandar o Banco Central americano, e atribuiu a ele suficiente sabedoria para assumir o leme da instituição em tempos de recuperação econômica.

"Eu me comprometo a tomar decisões com objetividade (...) na longa tradição de independência da política monetária", disse Powell no Jardim Rosado da Casa Branca, quando Trump anunciou sua escolha.

"Se o Senado me confirmar, farei tudo o que está no nosso poder para alcançar os objetivos de estabilidade de preços e pleno emprego", prometeu.

Trump decidiu não voltar a nomear a presidente atual do Fed, Janet Yellen, que comandou a política monetária da maior economia do planeta durante quatro anos.

Powell, de 64 anos, é um republicano, advogado e ex-banqueiro. Sua nomeação para conduzir a entidade representa a continuidade da atual política monetária americana.

Powell foi um dos homens mais próximos do ex-presidente do Fed, Ben Bernanke. Além disso, teve um convívio profissional excelente com Yellen, uma democrata que chegou a chefiar do Fed, impulsionada pelo então presidente Barack Obama.

Ao apresentar seu eleito em público, Trump lembrou que para cada cargo que ocupou no Federal Reserve, seu nome foi aprovado em tempo recorde com o apoio dos dois partidos. "Isso é incomum", comentou.

Powell, disse Trump, "é forte, é dedicado e é inteligente. E se for confirmado pelo Senado, 'Jay' porá seu talento e experiência a trabalhar para conduzir um banco central independente".

Para o presidente, Powell é um "construtor de consensos" e essa característica será crucial para seu desempenho.

Powell é defensor das ideias do governo americano de reduzir as regulamentações, mas também apoia a gradatividade de política monetária do Fed de Yellen, o que, por sua vez, está em linha com o desejo de Trump de manter baixas as taxas de juros.

Trump é o primeiro presidente em quase 40 anos a não manter no cargo o presidente do Fed nomeado pelo governo anterior.

Yellen, presidente do Fed desde 2014, deixa o posto com a economia emergindo com desemprego em queda, crescimento robusto e baixa inflação.

Agora, o tema será se Yellen vai manter a tradição e renunciar à junta de governadores do Fed quando seu mandato expirar em 3 de fevereiro. Como governadora, ela poderia permanecer até janeiro de 2014 e muitos consideram conveniente que o faça para ajudar a orientar a política monetária.

- "Ambiente hostil" -Powell permite a Trump mudar a liderança da Fed sem trocar basicamente a estratégia da política monetária. "Essa estratégia foi amplamente bem sucedida", disse o economista Tim Duy, da Universidade do Oregon.

Atualmente, a junta diretiva do Fed conta com apenas quatro de sete integrantes e se Yellen decidir deixar a entidade, Trump poderá, então, fazer nomeações para as quatro vagas. Isso dá ao presidente uma chance sem precedentes de escolher a maioria da direção do Fed.

Em outra ruptura com a tradição, Powell não é formado em economia. Mesmo assim, Terry Seehan, da Oxford Economics, disse ter recebido uma educação "muito qualificada" para seu trabalho no Fed. No entanto, advertiu que deverá defender a independência do Fed "em um ambiente político hostil".

O perfil de Powell é similar ao da grande maioria dos nomeados: vem do mundo das Finanças e conta com uma fortuna declarada entre 20 milhões e 55 milhões de dólares após quase uma década na poderosa financeira Carlyle Group, da qual era sócio.

Randal Quarles, outro membro do Fed nomeado por Trump, também foi sócio da Carlyle.

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