Venezuela: seis executivos da filial da PDVSA nos EUA são detidos

Caracas, 21 Nov 2017 (AFP) - Autoridades venezuelana detiveram, nesta terça-feira (21), por suspeita de corrupção, o presidente e cinco vice-presidentes da Citgo, a filial nos Estados Unidos da petroleira PDVSA, recentemente declarada em moratória por um grupo de credores.

Tratam-se de "seis diretores de alto escalão já apreendidos", que serão acusados de "peculato doloso próprio, acordo de funcionário público com empreiteira, legitimação de capitais e associação" criminosa, disse à imprensa o procurador-geral, Tarek William Saab.

O presidente da Citgo, Jose Ángel Pereira, foi detido em Caracas. Já o local da prisão de Tomeo Badel, Alirio Zambrano, Jorge Toledo, Gustavo Cárdenas e José Luis Zambrano, vice-presidentes de diferentes áreas da Citgo, não foi anunciado.

"Esses funcionários apareciam como elementos facilitadores para a estratégia de pressão internacional, talvez a serviço de uma potência estrangeira contra o país, porque há de existir uma visão anti-venezuelana para colocar em risco nossa principal filial estatal", afirmou Saab.

As prisões acontecem em um momento em que a Venezuela passa por uma complicada situação com relação ao pagamento de sua dívida soberana e da PDVSA, que fornece 96% das divisas do país.

Na semana passada, a PDVSA foi declarada em moratória pela Associação Internacional de Swaps e Derivados (ISDA), que reúne detentores de bônus, depois que as agências S&P Global Ratings e Fitch qualificaram essa empresa e o país em incumprimento parcial.

Os títulos da companhia representam 30% da dívida externa venezuelana, estimada em 150 bilhões de dólares, que o presidente Nicolás Maduro quer refinanciar, embora os especialistas considerem que será difícil pelas sanções impostas pelos Estados Unidos.

A Citgo e outros ativos da PDVSSA poderiam ser embargados como parte de um processo de litígios, os quais iriam expor se a Venezuela cumpre ou não com suas obrigações da dívida, segundo o Eurasia Group e outros centros de análise.

- "Do mais baixo calão" -Segundo o procurador, os diretores da Citgo "valendo-se de sua posição como representantes legais da filial" assinaram, em 15 de julho de 2017, um contrato com as empresas Frontier Group Management LTD e Apollo Global Management LLC, sobre uma suposta renegociação de dívidas.

"Baseando-se, para assinar esse contrato, em um suposto refinanciamento dos programas de dívida de 2014 e 2015 para solicitar empréstimo sob condições desfavoráveis a nossa principal indústria, como é a PDVSA", explicou Saab.

O contrato permitia "um financiamento de um montante de até quatro bilhões de dólares, sem depender, claro, da assinatura com a aprovação do Executivo".

De acordo com o funcionário, o mais grave foi a oferta, como garantia, da própria filial da Citgo, principal refinadora de petróleo e comercializadora de gasolina da Venezuela nos Estados Unidos.

"Isso é corrupção do mais baixo calão, que deve ser punida e sancionada independentemente de que quem está envolvido seja a mais alta gerência da Citgo, eles terão que responder à Justiça", garantiu Saab.

O procurador destacou que a empresa Mangoré Sarl, intermediária na negociação, tem entre seus diretores Juan Zavalia Paunero, que está vinculado ao caso dos Panama Papers.

Saab também citou as investigações do WikiLeaks, que assinalam que Pereira ofereceu, em 9 de fevereiro de 2014, "informação confidencial sobre a estratégia de negociação da Venezuela" em um conflito com a petroleira transnacional Conoco Phillips.

A Citgo, fundada em 1910 como o nome de Cities Service, tem três refinarias de petróleo nos estados de Texas, Louisiana e Illinois, com capacidade acumulada de 750 mil barris por dia, além de três oleodutos e ações de outros três.

Desde que assumiu o cargo em agosto, Saab diz liderar uma ofensiva contra a corrupção dentro da PDVSA, que já levou à prisão cerca de 50 funcionários, entre eles uma dúzia de executivos de alto escalão.

A corrupção e o uso da PDVSA como um banco para financiar o gasto social enfraqueceram a companhia, que outrora foi uma das cinco maiores do mundo, segundo especialistas.

Analistas advertem que uma moratória aprofundaria a recessão em um país com quatro anos de contração (36%) e às portas da hiperinflação.

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