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'Muitos' membros do Fed querem alta de juros a curto prazo: minutas

Washington, 22 Nov 2017 (AFP) - A maioria dos integrantes do comitê de política monetária do banco central americano são favoráveis a aumentar as taxas de juros a curto prazo, indicando que o Federal Reserve (Fed) deve ampliá-la no mês que vem, indicam as minutas do último encontro, divulgadas nesta quarta-feira (22).

Mas as discordâncias agudas persistem entre os tomadores de decisões, principalmente sobre os riscos da inflação baixa e a necessidade de aumentar a taxa de juros, de acordo com o relatório da reunião do Fed de 31 de outubro e 1 de novembro.

Alguns membros também estão preocupados que as altas vertiginosas e sequências de recordes em Wall Street possam gerar problemas.

O Fed já aumentou a taxa duas vezes em 2017, e os mercados esperam uma terceira alta no mês que vem, apesar da inflação persistentemente baixa e da estagnação salarial.

A junção de fraca pressão sobre os preços, desemprego em nível historicamente baixo e criação de vagas estável tem confundido os economistas.

A presidente de saída do Fed Janet Yellen admitiu que os tomadores de decisões não têm como explicar completamente a fraqueza da inflação, mas que esperam que ela comece a crescer no médio prazo, sugerindo que o Fed pode continuar a aumentar a taxa com o passar do tempo.

Esperar demais para agir poderia significar uma disparada da inflação, o que forçaria o banco central americano a elevar os juros de repente, atrapalhando a economia, segundo a maioria dos membros do Fed.

Uma minoria do comitê de política monetária, que estabelece a taxa de juros de referência dos EUA, discordou vigorosamente ao longo das reuniões deste ano, contudo, indicando que o espaço no mercado de trabalho e a ausência de qualquer tendência ascendente nas pressões sobre os preços.

"Muitos participantes", segundo as minutas divulgadas nesta quarta-feira, sentem que uma nova alta "provavelmente será garantida no curto prazo" se os dados econômicos se mantiverem nos trilhos atuais.

"Poucos outros participantes acreditam que reforços de política adicionais devem ser adiados até que as informações confirmem que a inflação está claramente no rumo do objetivo simétrico do comitê, de 2%".

A alta das taxas cedo demais pode levar a população a "questionar o compromisso do comitê" com sua meta de 2%.

Desde a última reunião, o Índice de Preços ao Consumidor registrou um modesto aumento da medida de inflação, mas economistas indicaram que são necessários mais dados para confirmar se isso indica uma tendência estável.

A medida de inflação preferida do Fed, o chamado núcleo anual do índice de Gastos de Consumo Pessoal (PCE), que não considera os preços voláteis de alimentos e combustíveis, manteve-se inalterado em 1,3% em setembro, muito abaixo do objetivo do Fed - que não atingido há mais de cinco anos.

- Temor por Wall Street -Além disso, alguns membros indicaram que a "valorização elevada de ativos" nos mercados financeiros, combinada à baixa volatilidade, aumentaram a preocupação sobre "um potencial acúmulo de desequilíbrios financeiros".

"Eles temem que uma mudança radical nos preços de ativos possa ter efeitos danosos à economia", segundo as minutas.

Outros membros do comitê responderam, contudo, que as reformas adotadas em meio à crise financeira global de 2008 deixaram os bancos com mais força de capital, "aumentando a resiliência do sistema financeiro para reversões potenciais de valorizações".

O presidente Donald Trump quebrou uma tradição neste mês e negou a Yellen um segundo mandato como presidente do Fed.

Ela anunciou nesta semana que também vai deixar o comitê do Fed em fevereiro, uma vez que seu sucessor, o atual governador do Fed, Jay Powell, tome posse.

Observadores disseram que Yellen reduziu suas chances de vencer seu segundo mandato por ter defendido claramente a legislação da reforma de Wall Street, que Trump prometeu desfazer.

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