UE expressa preocupação por dívida 'elevada' na Itália

Bruxelas, 22 Nov 2017 (AFP) - A Comissão Europeia expressou, nesta quarta-feira (22), sua preocupação com o endividamento público persistente e elevado da Itália, após realizar uma análise dos planos orçamentários nacionais, que aponto para risco de a França de Emmanuel Macron não cumprir as regras europeias.

"A dívida pública da Itália continua sendo uma vulnerabilidade-chave (...) Visto o tamanho da economia italiana, ela representa uma fonte de preocupação para a zona do euro em seu conjunto", alertou em uma carta enviada à Roma pela Comissão.

A Itália faz parte dos países listados nesta quarta por Bruxelas, junto a França, Portugal, Áustria, Eslovênia e Bélgica, pelo risco de que seus orçamentos para 2018 não cumpram o Pacto de Estabilidade e Crescimento, graças a uma "diferença notável" com a "trajetória de ajuste" requerida.

Após coibir o déficit público, o Executivo comunitário mira atualmente na dívida pública no contexto de recuperação na Eurozona das consequências da crise financeira mundial de 2008 e a posterior crise da dívida nos países do euro.

A economia da zona do euro "cresce no seu ritmo mais rápido em dez anos", mas vários países "suportam ainda níveis elevados de dívida pública", segundo o comissário de Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, que pediu aos governos listados para "consolidar suas finanças públicas".

A Itália aparece, neste contexto, como o país mais preocupante para Bruxelas, especialmente porque a expansão do PIB da terceira economia da zona do euro seria a mais baixa em 2017 dos países do euro, com 1,5%, frente à média de 2,2%, segundos suas previsões do começo de novembro.

Em virtude dessas projeções, a dívida italiana seria de 132,1% do PIB em 2017, de 130,8% em 2018 e de 130% em 2019, enquanto a dívida pública da zona do euro seria, respectivamente, 89,3%, 87,2% e 85,2%.

"O governo confia que, através de um diálogo construtivo com a Comissão Europeia, os diferentes pontos de vista poderão se esclarecer, sem necessidade de recorrer a intervenções posteriores", segundo fontes próximas ao Ministério de Finanças italiano.

A Itália só é superada na dívida pública pela Grécia, que em 2017 ficaria em 179,6%, após três planos de resgate desde 2010.

Neste ano, o endividamento seria de 126,4% em Portugal, 103,8% na Bélgica e 103% no Chipre. A Espanha teria 98,4% e a França, 96,9%, de acordo com Bruxelas.

- França destaca 'prudência' -Dos dez países da zona do euro com déficit superior a 3% em 2014, Espanha e França são os únicos que continuam a superar esse objetivo estabelecido na região. Bruxelas indica que a economia francesa poderia deixar o controle europeu a partir de 2018, "se corrigir seu déficit excessivo" de "forma duradoura".

A França deve reduzir, contudo, seu déficit estrutural, que não leva em conta os efeitos da conjuntura econômica, a 0,1% do PIB, segundo Bruxelas, apesar de seus cálculos apontarem, por sua vez, a um aumento de até meio ponto.

O Ministério de Economia da França tentou driblar do assunto garantindo que a "diferença de apreciação com a Comissão é normal" nesta fase, apontando para a "prudência" do Executivo comunitário, conforme reconhecido por Moscovici.

A França procura preservar sua credibilidade no bloco, especialmente quando o presidente Emmanuel Macron, que realizou uma campanha marcadamente pró-europeia, quer realizar uma reforma aprofundada no bloco e, sobretudo, na zona do euro.

- Incerteza na Catalunha -A Comissão aprovou o projeto de orçamentos do governo espanhol para 2018, mas alertou para a incerteza gerada pela crise na Catalunha.

"O projeto de orçamentos [da Espanha] é considerado globalmente de acordo com as exigências do Pacto [de Estabilidade e Crescimento] para 2018", indicou o Executivo comunitário.

Madri, que prevê um déficit orçamentário no ano que vem de 2,3%, indicou em uma carta à Comissão no fim de outubro que, "assim que as circunstâncias permitirem", vai tomar as "medidas necessárias" para cumprir os 2,2%.

A falta de uma maioria parlamentar obrigou o governo espanhol de Mariano Rajoy a enviar para Bruxelas um projeto de orçamentos "sem mudança de políticas" em relação ao de 2017, em meio à crise na Catalunha, cujo Parlamento proclamou unilateralmente a independência.

A crise da Catalunha, que representa 19% do PIB nacional e está sob tutela de Madri após a intervenção no governo separatista catalão, afetaria o crescimento da Espanha, um impacto que o ministro de Economia, Luis de Guindos, avaliou em 5 bilhões de euros a menos no PIB.

Madri reduziu sua previsão de expansão do PIB para 2018 a 2,3%, ante 2,6% previstos anteriormente, embora o Executivo comunitário considere que poderia ser de 2,5%, dois décimos a mais.

"A previsão da Comissão não incorpora o impacto da incerteza relacionada com os acontecimentos recentes na Catalunha, embora reconheça o risco de que desenvolvimentos futuros possam impactar o crescimento", indicou Bruxelas, que disse não poder antecipar esse cenário.

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