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Opep tenta novo acordo, apesar das tensões geopolíticas

Paris, 29 Nov 2017 (AFP) - Os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus parceiros vão-se reunir nesta quinta-feira (30) em Viena, a fim de prorrogar o acordo que limita a produção de petróleo e que, nos últimos meses, conseguiu estimular a alta dos preços.

Tudo indica para uma extensão nas mesmas condições do acordo histórico de 2016, quando 24 países produtores - 14 membros da Opep e outros petroleiros, como a Rússia - concordaram em reduzir sua produção em 1,8 milhão de barris diários.

O pacto, que começou a ser aplicado em janeiro deste ano, por ora será mantido até março de 2018. Ele foi fundamental para a queda das reservas mundiais e a recuperação recente dos preços, que agora estão por volta de 60 dólares o barril de WTI e 65 dólares o de Brent do Mar do Norte, em relação aos 30 dólares do barril no começo de 2016.

"Os acordos do ano passado serviram para dar apoio ao mercado (...). Agora, as coisas que a Opep diz têm mais crédito, o preço se recuperou de forma razoável, e estamos em uma situação muito melhor do que há um ano", explica à AFP o diretor do programa Energia do Real Instituto Elcano de Madrid, Gonzalo Escribano.

Os preços também se beneficiaram do otimismo em relação à recuperação econômica mundial e das perspectivas de aumento da demanda.

"Conseguimos o que nossos críticos achavam ser impossível", comemorou nesta segunda-feira o secretário-geral do cartel, o nigeriano Mohammed Barkindo.

Há, contudo, incógnitas sobre a possibilidade de as tensões entre os países-membros - principalmente entre Arábia Saudita e Irã, além do Catar, isolado dos demais países do Golfo - colocarem em risco o objetivo de prorrogar o pacto até o fim de 2018.

"Tivemos outras situações, como quando o Iraque invadiu o Kuwait, ou na guerra Irã-Iraque, em que esses países podiam participar da Opep e trabalharam juntos, apesar de suas diferenças políticas e até militares", lembra o analista geopolítico Richard Mallinson, da Energy Aspects.

- Putin, novo rei do petróleo? -Outra dúvida é a posição da Rússia, onde alguns importantes grupos petroleiros estão relutantes em seguir o acordo. Analistas apontam para o interesse do presidente russo Vladimir Putin em continuar trabalhando com a Opep, como no histórico acordo de 2016, e seguir estendendo sua influência no Oriente Médio.

"Com sua entrada no jogo da Opep, a Rússia tem uma posição excelente na região. Se furar filas e não respeitar as metas de produção, perderia a credibilidade no Oriente Médio", aponta Bjarne Schieldrop, analista da SEB.

Entretanto, a influência da Rússia nesta "Opep Plus" - que inclui os países de fora do cartel que fazem parte do acordo - é limitada.

"Esse título de 'Putin, novo rei da Opep' é um pouco exagerado. Basicamente, é um triunvirato (associação política de três líderes), onde estão Irã, Arábia Saudita e Rússia", aponta Escribano.

Além disso, tanto para a Rússia quanto para a Opep, o alvo são os Estados Unidos, onde, graças ao auge das jazidas não convencionais, a produção de petróleo alcançou em novembro seu nível máximo desde 1983, ano em que esta medição começou a ser feita.

"Trata-se (para a Opep e seus sócios) de privilegiar o preço, não a quantidade", garante Schieldrop.

Um dos membros latino-americanos do cartel, ao lado do Equador, a Venezuela chega a Viena em sua situação delicada, com uma produção de petróleo historicamente baixa, e sua petroleira estatal PDVSA imersa em um processo de mudança de liderança após o presidente Nicolás Maduro nomear um militar, com o objetivo de "uma restruturação total" da empresa. A companhia é responsável por 96% das divisas do país.

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