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Recorde as grandes bolhas econômicas ao longo dos séculos

Tóquio, 11 dez 2017 (AFP) - Bolhas como a que a moeda virtual bitcoin pode estar vivendo são um fenômeno recorrente na história econômica mundial, das tulipas holandesas do século XVII até a crise dos "subprime" quatro séculos depois.

O bitcoin, que valia apenas alguns centavos quando foi criado, em 2009, chegou nesta segunda-feira (11) aos 18 mil dólares a unidade.

Veja abaixo algumas das bolhas econômicas da história.

- 'Tulipomania' holandesa - No começo do século XVII, na Holanda, as tulipas exóticas se tornaram um produto de luxo e um símbolo de status social.

As pessoas não pestanejavam em vender suas casas e negócios para comprar a preciosa planta. Alguns bulbos chegaram a custar 150 mil dólares, em valores atuais.

Os preços alcançaram mais de cem vezes a receita média anual dos holandeses. Assim, as mudas serviam para comprar terra, gado, casas, ou pagar dotes matrimoniais.

A bolha especulativa, considerada a primeira da história, estourou em 1637, num leilão em Haarlem, que teve um desemprenho ruim e derrubou os preços. Como consequência, alguns bancos quebraram e pessoas perderam todo seu patrimônio.

- Bolha imobiliária japonesa -Em meados dos anos 1980, a economia japonesa dominava o mundo com seus avançados produtos tecnológicos, que deram fama à expressão "made in Japan".

Graças a esse sucesso - e à política monetária ultra flexível do Banco Central japonês - o valor das ações do índice Nikkei da Bolsa de Tóquio triplicou entre 1985 e 1986, e o valor das empresas japonesas disparou.

Todo esse dinheiro em circulação, combinado com a facilidade de crédito, estimulou a especulação e provocou uma bolha imobiliária. Na época, dizia-se que o palácio imperial de Tóquio valia mais que a Califórnia inteira.

As políticas do governo para combater a bolha acabaram contribuindo para seu estouro - atingindo, de repente, à bolsa e aos preços dos bens imobiliários.

O resultado foi a chamada "década perdida" japonesa, um período de estancamento econômico e deflação, cujos efeitos são sentidos ainda hoje.

- Pelúcias Beanie Baby -Em meados dos anos 1990, entraram na moda nos Estados Unidos bichinhos de pelúcia Beanie Baby, que começaram valendo cinco dólares, mas logo alcançaram preços de milhares de dólares por alguns modelos.

A fabricante, Ty, limitava deliberadamente sua produção e estimulou o colecionismo e a especulação. O comércio de Beanie Babys chegou a representar 10% das transações do eBay.

A bolha estourou no fim da década, quando a Ty anunciou que ia deixar de fabricá-los, e os preços caíram.

- Empresas 'ponto.com' -O auge da internet, no fim dos anos 1990, provocou a chamada bolha das empresas ponto com, ou bolha da internet. No período, algumas companhias tecnológicas alcançaram valores astronômicos, apesar de não terem nenhuma receita.

Vários jovens empreendedores de internet tornaram-se milionários da noite para o dia, em um período no qual também aconteceu a fusão da AOL e da Time Warner, a mais importante da história, até então.

Apesar de Alan Greenspan, então presidente do Federal Reserve, o Banco Central americano, ter alertado sobre a "exuberância irracional" dos preços, a bolha acabou estourando quando ficou claro que muitas dessas empresas nunca seriam rentáveis.

- Crise das 'subprime' -A crise financeira mundial do fim da década passada foi provocada pelas chamadas hipotecas "subprime", ou de alto risco, créditos com juros altos concedidos a pessoas que não podiam pagar por eles.

Os bancos e os credores juntaram vários créditos tóxicos em produtos financeiros opacos e de alto risco, que eram rapidamente revendidos.

A bolha estourou quando investidores se deram conta do risco, e os preços imobiliários começaram a cair, enquanto milhões de pessoas perderam suas casas.

As bolsas despencaram, o desemprego subiu e o sistema bancário americano cambaleou, com a queda simbólica do Lehman Brothers em 2008.

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