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Investidores se afastam de energias fósseis em cúpula climática de Paris

Paris, 12 dez 2017 (AFP) - Bancos, empresas e investidores anunciaram, nesta terça-feira (13), seus compromissos diante das alterações climáticas, especialmente o repúdio às energias fósseis, durante uma cúpula em Paris que busca mobilizar fundos para encarar o desafio global.

Dois anos após a histórica assinatura do Acordo de Paris, a reunião tentou estimular a aplicação dos objetivos adotados, apesar da saída dos Estados Unidos, decidida por Donald Trump.

O presidente francês, Emmanuel Macron, alertou que "estamos perdendo a batalha" contra o aquecimento e que é preciso entrar em uma "fase de ação".

"Não avançamos rápido o bastante, e essa é a tragédia", afirmou Macron em discurso para representantes dos 127 países, instituições internacionais e empresários.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, enviou um alerta ao garantir que o mundo está "em uma guerra pela existência da vida em nosso planeta tal como a conhecemos".

Mas a cúpula chegou a alguns resultados, a ponto de Macron ter dito, ao fim, que tinham "recuperado um pouco do terreno perdido. Ele sugeriu que a reunião seja anual.

Entre os compromissos anunciados, o Banco Mundial afirmou que vai deixar de financiar a exploração e extração de petróleo e gás a partir de 2019, e que se aproxima do objetivo de dedicar 28% de seus empréstimos à luta a favor do clima até 2020.

"Estamos determinados a trabalhar com todos vocês para implementar as políticas adequadas, conseguir que as forças do mercado se movam na direção correta, botar dinheiro na mesa e acelerar nossa ação", afirmou o presidente da instituição, Jim Yong Kim.

O Greenpeace aplaudiu o anúncio: "O Banco Mundial - enquanto uma das instituições financeiras mundiais mais poderosas - enviou" um claro sinal de "falta de confiança no futuro da indústria dos combustíveis fósseis", comemorou um membro, Gyorgy Dallos.

A seguradora AXA e o banco holandês ING anunciaram uma aceleração de sua desvinculação da indústria do carvão.

Um grupo de mais de 200 grandes investidores pressionou as 100 empresas mais poluentes do mundo (BP, Chevron, Airbus, Ford, ArcelorMittal, entre outras) a se juntarem na luta contra a mudança climática, incluindo-as numa lista de vigilância durante cinco anos.

O setor energético é responsável por 3/4 das emissões de gases de efeito estufa.

- 'Desgraça' -Macron convocou a cúpula em resposta à decisão de Trump em junho de deixar o Acordo de Paris, que pretende limitar o aquecimento global abaixo de +2ºC.

Para alcançar os compromissos de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, serão necessários investimentos pesados.

"É indispensável encontrar novas fontes de financiamento, sobretudo para os países em desenvolvimento", afirmou o presidente do México, Enrique Peña Nieto, em coluna publicada no jornal francês Les Echos.

Até agora, as medidas anunciadas pelos governos, destinadas a, por exemplo, desenvolver energias renováveis, são insuficientes. Elas resultariam em uma alta superior da temperatura média de 3ºC, em relação à era pré-industrial.

Participaram da cúpula chefes de Estado e de governo, entre eles, o espanhol Mariano Rajoy, o boliviano Evo Morales, a britânica Theresa May, Peña Nieto e vários presidentes africanos.

Os Estados Unidos foram representados por um membro de sua embaixada na França.

"É muito decepcionante, é pior que decepcionante, é uma desgraça, quando se leva em conta os fatos, a ciência, o senso comum, todo o trabalho que foi feito", disse à AFP o ex-secretário de Estado americano John Kerry, muito envolvido nas negociações de 2015 em Paris.

Mas Kerry se mostrou otimista: "Trump talvez tenha se retirado do Acordo de Paris, mas o povo americano, não".

"Não se preocupem por nós", disse o ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger. "Os estados e as cidades têm muitos poderes" nos Estados Unidos, explicou.

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