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Crescimento mundial se acelera, mas crise da dívida volta a preocupar

27/12/2017 09h16

Paris, 27 dez 2017 (AFP) - Quase dez anos após a quebra do Lehman Brothers, a recuperação econômica esboçada neste ano deve ser confirmada em 2018, estimulada pelos principais motores da economia mundial, mas o fantasma de uma crise da dívida volta a circular.

Todos os sinais são positivos: os Estados Unidos vão prolongar, em 2018, um dos maiores ciclos de crescimento de sua história, os países emergentes se recuperam após as quedas de 2014 - com a China como locomotora e países como o Brasil deixando a recessão - e a zona do euro, última região a subir no trem da recuperação, agora está em clara melhoria.

"A crise que atingiu nosso continente (...) ficou para trás, e esse crescimento nos dá motivos para pensar que será duradouro", comemorou o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico estimam um crescimento mundial de 3,7% em 2018, refletindo um otimismo sem precedentes nos últimos dez anos.

A animação contrasta com o pessimismo que reinava no ano passado, após a opção britânica pelo Brexit e a eleição, nos Estados Unidos, de Donald Trump, com um programa de governo protecionista.

As instituições internacionais visam um entuasiasmo geral moderado e pedem aos Estados para aproveitar o momento para arrumar a casa, como várias vezes alertou a diretora-geral do FMI, Christine Lagarde.

E o risco de novas crises não está completamente excluído: FMI e OCDE, assim como vários economistas, alertam para o risco de um endividamento crescente do setor privado.

Já o Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) e o Banco Central Europeu (BCE) estão prestes a encerrar sua política dos últimos anos de flexibilização monetária.

- Empresas 'zumbis' -"O endividamento de pessoas e empresas chegou a níveis recordes em vários países", constatou recentemente o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, que indica em especial as empresas chamadas "zumbis", que sobrevivem se financiando graças a dinheiro barato, e que poderiam falis quando os juros subirem.

"É um assunto preocupante", explica um especialista da dívida pública, que pede para não ser identificado.

Quando uma dessas empresas sofrer uma crise sistêmica - que pode contagiar todo o sistema financeiro - "o Estado vai se ver obrigado a resgatá-la, provocando uma transferência da dívida privada à pública", como aconteceu após a crise financeira de 2008, quando países como Espanha e Irlanda tiveram que acudir seus bancos.

Desta vez, o foco das preocupações é a China, a ponto de o FMI alertar, no começo de dezembro, que os bancos do gigante asiático estão mal preparados para enfrentar riscos financeiros persistentes, como os provocados por essas "empresas zumbis", que só sobrevivem de crédito, ou pela explosão de produtos de investimento mal regulados.

- Problema sob controle -Diante desta situação, Gurría tem confiança nas autoridades chinesas. "Sim, é um problema. Sim, já é sabido e foi identificado, mas, levando em conta as capacidades das autoridades chinesas de reagir rapidamente neste assunto, achamos que a situação não está fora de controle", afirmou.

Por outro lado, nas últimas semanas surgiu outra fonte de preocupação, o bitcoin, a moeda virtual considerada por muitos uma bolha especulativa, que não para da bater recordes.

"O que é perigoso é uma mescla de bolha com endividamento", explica a economista Agnès Bénassy-Quéré. "Não acho que o fenômeno do bitcoin seja de tamanha magnitude para desestabilizar os mercados, mas se dizia o mesmo sobre as 'subprimes'", créditos imobiliários que provocaram a última crise mundial.

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