ipca
-0,09 Ago.2018
selic
6,5 19.Set.2018
Topo

Wolff: quase todos duvidam da capacidade de Trump para governar

05/01/2018 12h03

Washington, 5 Jan 2018 (AFP) - Quase todas as pessoas que convivem com Donald Trump questionam sua capacidade para governar, afirmou Michael Wolff, autor do controvertido livro sobre o presidente dos Estados Unidos lançado nesta sexta-feira.

"Cem por cento de quem o cerca, até Jared Kushner, seu genro, e Ivanka Trump, sua filha, questionam sua capacidade para governar", declarou Wolff à rede NBC.

"Todos o descreveram da mesma maneira; dizem que é como um menino, ou seja, que precisa de gratificação imediata, e tudo gira em torno dele", indicou o autor do livro "Fire and Fury: Inside the Trump White House" (Fogo e fúria na Casa Branca de Trump, em tradução livre), que foi convidado para o famoso programa matutino "The Today Show".

"Dizem que é um imbecil, um idiota", acrescentou o escritor, que garante ter entrevistado fontes que convivem de perto com o presidente todos os dias.

Michael Wolff também afirmou ter falado por três horas com o magnata antes e depois de sua eleição para poder escrever o livro.

"Falei com o presidente, se ele se deu conta de que era uma entrevista ou não, não sei, mas não estava em 'off'" (algo a ser mantido em sigilo), apesar de o presidente ter escrito na quinta à noite em seu Twitter que "nunca falou para um livro".

O lançamento de "Fire and Fury: Inside the Trump White House", originalmente programado para a próxima terça-feira, foi antecipado e chega às livrarias nesta sexta.

O canal CNN revelou na quinta-feira que muitos legisladores americanos, a maioria democratas, consultaram uma professora de psiquiatria da Universidade de Yale, em dezembro, sobre a saúde mental do presidente Trump.

"Os legisladores disseram que estavam preocupados sobre o risco que representava o presidente, o risco que representava sua instabilidade mental para o país", disse à CNN a professora Brady Lee, editora do livro "O Perigoso Caso de Donald Trump", uma série de ensaios de psiquiatras que analisam o estado psicológico do presidente dos Estados Unidos.

Segundo Lee, no grupo de legisladores havia um senador republicano, cuja identidade não revelou.

A porta-voz da Casa Branca Sarah Sanders qualificou as declarações de "vergonhosas" e destacou "que se não fosse apto, Trump não estaria onde está e não teria derrotado o melhor grupo de candidatos jamais visto no Partido Republicano", em referência às primárias de 2016.

Na Câmara de Representantes, 57 legisladores democratas - 30% do total - redigiram um projeto de lei para a criação de uma comissão parlamentar especial sobre "a incapacidade presidencial", visando "determinar se o presidente esta psicologicamente ou fisicamente capacitado para cumprir suas funções".

A Constituição americana prevê duas formas de se substituir um presidente: um impeachment no Congresso ou pela 25ª emenda, que permite o vice-presidente e a metade do gabinete declarar que o presidente é "incapaz de exercer o poder e cumprir com os deveres do cargo".

Caso o presidente conteste a decisão baseada na 25ª emenda, corresponde ao Congresso confirmá-la com ao menos dois terços dos votos.

Mais Economia