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Para FMI, reforma fiscal nos EUA estimulará crescimento mundial em 2018

22/01/2018 15h40

Washington, 22 Jan 2018 (AFP) - O Fundo Monetário Internacional (FMI) destacou, nesta segunda-feira (22), seu otimismo em relação ao desempenho da economia mundial em 2018, estimulado, a curto prazo, pela reforma fiscal adotada recentemente pelos Estados Unidos.

Na revisão das expectativas que tinha publicado em outubro passado, o FMI aumentou de 3,7% para 3,9% em sua previsão para o crescimento da economia global para este ano e o próximo, uma revisão com alta de 0,2 ponto percentual para cada período.

De acordo com a entidade financeira internacional, a revisão positiva das expectativas é "um reflexo de um fortalecimento da tendência de crescimento e do impacto esperado da reforma fiscal recentemente aprovada nos Estados Unidos".

Os técnicos do FMI apontaram que um grupo de países que representa "três quartos do PIB mundial registrou crescimento em 2017", uma situação que significa "a maior recuperação global desde 2010".

A entidade estimou que os Estados Unidos devem fechar este ano com um crescimento de 2,5%, um aumento significativo de 0,6 ponto percentual em relação às previsões divulgadas em outubro passado.

Para 2019, o FMI estimou um crescimento de 2,7%, também em alta em relação a outubro, de 0,4 ponto percentual.

A reforma do sistema tributário americano deve "estimular a atividade, com um impacto de curto prazo visível no aumento dos investimentos diante da redução de impostos sobre as empresas", de acordo com o relatório do FMI.

Este aumento dos investimentos deve se traduzir em um crescimento adicional de 1,2 ponto percentual até 2020, que seria gradualmente reduzido a partir de então, dada a natureza temporária de algumas das medidas.

- Brasil e México em alta -"Os efeitos deste pacote nos Estados Unidos e em seus parceiros comerciais contribuem com aproximadamente metade da revisão do crescimento global para 2018-2019", disse o FMI.

O Fundo também melhorou a estimativa de crescimento da zona do euro em 0,3 ponto percentual, embora tenha reduzido marginalmente a previsão para a Espanha, diante do cenário de incerteza sobre a situação política na Catalunha.

A entidade manteve inalterada sua expectativa de crescimento da América Latina em 2018, a 1,9%, mas elevou bastante sua previsão sobre o desempenho de Brasil e México.

O órgão apontou para uma "recuperação mais firme do Brasil", onde aumentou a expectativa de crescimento deste ano de 1,5% para 1,9%.

No caso do México, o FMI mencionou que o país vai se beneficiar de uma forte demanda americana e elevou a previsão de 1,9% para 2,3%.

Além disso, o FMI indicou que existe um cenário de "melhorias nos preços de commodities e também condições mais fáceis de financiamento em alguns dos países exportadores de matérias-primas".

A entidade financeira afirmou que essas condições compensam "as previsões em baixa da Venezuela", mas não detalhou as expectativas do desempenho econômico do país petroleiro.

- Conjunto de fatores -Mas se o FMI manteve sua visão otimista a curto prazo, reiterou que a economia mundial deve se manter atenta à situação geral para evitar retrocessos.

Em uma declaração, o economista-chefe do Fundo, Maurice Obstfeld, apontou para "boas notícias. Mas os líderes políticos e responsáveis pelo desenho de políticas devem lembrar que o impulso de crescimento está ligado à convergência de fatores que deverá durar muito tempo".

Para ele, a grande crise financeira mundial de 2008 pode "parecer ter acabado à distância, mas sem medidas rápidas para atacar os obstáculos estruturais ao crescimento, a nova tendência negativa vai chegar mais rápido e será mais difícil de combater".

Até o impacto positivo da reforma fiscal americana a curto prazo poderia piorar o déficit orçamentário do país.

Assim, uma desaceleração a partir de 2022 poderia na prática anular os benefícios mais imediatos.

Dt-ahg/cd/ll

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