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Fed manterá sua independência, garante novo presidente Jerome Powell

Washington, 5 Fev 2018 (AFP) - O ex-banqueiro Jerome "Jay" Powell tomou posse nesta segunda-feira (5) como o 16º líder do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), assumindo um papel fundamental na supervisão da maior economia do mundo. Ele prometeu respeita a tradição de independência da instituição monetária.

Em um breve discurso, Powell, de 65 anos, insistiu na "tradição não partidária" do banco central de "tomar decisões objetivas baseadas nos melhores dados disponíveis".

Possivelmente o presidente mais rico que o Fed já teve, ele assume o banco após uma década de recuperação econômica, com especialistas apontando para novos desafios no horizonte.

Republicano moderado - mesmo partido do presidente Donald Trump e das maiorias legislativas em ambas as câmaras do Congresso -, advogado e ex-banqueiro de investimentos que foi membro da direção do Fed por cinco anos, Powell sucedeu a democrata Janet Yellen.

A primeira mulher a comandar o Fed admitiu na sexta-feira estar decepcionada por não ter sido eleita para um segundo mandato de quatro anos - que é um procedimento comum - e não foi à posse.

Sob a liderança de Yellen, o Fed esteve sob pressão dos legisladores republicanos para tomar decisões monetárias seguindo fórmulas mais rigorosas. Yellen se opôs a isso, garantindo que afetaria a independência do banco central.

"Sinto-me humildemente honrado por essa oportunidade de servir ao povo americano. Ao começar meu mandato, quero enfatizar meu compromisso de explicar o que fazemos e por quê o fazemos", disse Powell, logo após prestar o juramento, em Washington.

Esse sinal deve ser bem recebido por legisladores conservadores.

Powell também disse que as reformas bancárias estabelecidas desde a crise de 2008 fortaleceram o setor financeiro.

"Pretendemos manter isso deste jeito", disse Powell.

Mas ele registrou uma nota de equilíbrio, talvez um aceno para a prioridade do governo Trump para reduzir os encargos regulatórios na economia.

"Nós também vamos trabalhar duro para garantir que nossa regulamentação e supervisão sejam eficientes e eficazes", disse Powell.

"No Federal Reserve, sabemos que nossas decisões são importantes para famílias e empresas americanas".

Powell chegou ao Fed como governador nomeado pelo então presidente Barack Obama em 2012, o ano em que o banco central adotou um alvo de 2% para a inflação anual.

A inflação ficou abaixo do alvo desde então, permitindo que a ex-presidente Janet Yellen deixasse o cargo em meio a baixas pressões de preços, crescimento constante e aumento do emprego.

Powell, que não é economista, assume entre receios acerca de pressões fiscais, após o corte maciço de impostos de dezembro, e preocupação com a inflação, que pode finalmente estar se aquecendo.

O novo presidente do Fed provavelmente fará a primeira aparição pública regular no depoimento semestral habitual ao Congresso no fim deste mês, seguida de sua primeira coletiva de imprensa após a reunião de política monetária de março.

O Fed indicou em dezembro que espera aumentar a taxa de juros de referência três vezes este ano. A primeira alta é amplamente esperada para março.

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