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Inteligência Artificial não pode perpetuar preconceitos, alertam especialistas

Barcelona, 1 Mar 2018 (AFP) - A inteligência artificial poderá contribuir para perpetuar os preconceitos, especialmente os sexistas, se não se prestar atenção aos dados usados para alimentá-la, alertaram várias especialistas reunidas nesta quinta-feira no Mobile World Congress de Barcelona.

"Somos todos muito conscientes de que as máquinas retomarão os mesmos preconceitos dos que as codificaram", advertiu Emma McGuiguan, responsável de tecnologia na consultora Accenture durante um ciclo de conferências para promover o papel da mulher nas novas tecnologias.

"A inteligência artificial (IA) necessita um volume maciço de dados, isso vai necessitar muito conteúdo humano e nossos preconceitos serão importados na IA", explicou Julie Woods-Moss, presidente da operadora móvel indiana Tata Communications.

"Temos que prestar muita atenção para não levar a IA a ser tendenciosa", acrescentou, animando os profissionais a encontrar meios para identificar "conscientemente" estes preconceitos.

"Por exemplo, se vocês começam a ver esquemas (de programação) dizendo: 'o homem é o médico, a mulher é a enfermeira'", exemplificou.

Woods-Moss criticou também o fato de que "a maior parte de assistentes digitais (de voz) são femininas". Estes dispositivos funcionam graças à inteligência artificial, analisando as conversações de seu usuário para poder responder.

O assistente lançado pelo gigante do comércio eletrônico Amazon, chamado Alexa, "não se uniu até pouco tempo atrás ao movimento MeToo", disse em referência à hashtag lançada nas redes sociais para incitar as mulheres a tornarem públicas as agressões sexuais que sofreram.

"Antes, se você lhe dirigia insultos horríveis de caráter sexual, Alexa respondia 'obrigada pelo seu comentário'. Agora diz 'não respondo isto'", ilustrou.

Ainda assim, começa a haver "um número importante de inovações" para criar soluções técnicas para este problema, explicou Woods-Moss.

Mas "infelizmente, mais de 90% dos informáticos que desenvolvem as tecnologias de inteligência artificial ainda são homens", lamentou Lisa Wang, fundadora de SheWorx, uma plataforma de financiamento para mulheres empreendedoras.

Este debate segue outras discussões sobre os "preconceitos" sexistas ou raciais dos algoritmos que fazem muitos aplicativos funcionarem.

A União Americana pelas Liberdades Civis lançou em 2017 uma iniciativa para lutar contra os preconceitos escondidos nos algoritmos e na inteligência artificial, depois de que foi revelado, por exemplo, que programas de recrutamento desfavoreciam sistematicamente certos perfis.

Segundo o informe sobre o emprego de 2016 do Fórum Econômico Mundial, só 19% dos funcionários na indústria da tecnologia móvel são mulheres.

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