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Bachelet entrega a Piñera o poder de um Chile marcado por suas reformas

09/03/2018 10h28

Santiago, 9 Mar 2018 (AFP) - O segundo mandato de Michelle Bachelet chega ao fim no domingo, com a entrega, pela segunda vez, da faixa presidencial a Sebastián Piñera, um magnata conservador que receberá a economia em pleno crescimento.

Bachelet deixará para o sucessor uma série de reformas - algumas ainda não finalizadas ou em pleno trâmite de aprovação -, com as quais tentou apagar elementos da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) e dotar o Chile de uma uma rede maior de proteção social.

"Sinto que saio pela porta da frente, porque, embora desejássemos fazer algumas coisas mais rápido ou melhor, me sinto orgulhosa do que fizemos", afirmou a socialista esta semana.

Primeira mulher a assumir a presidência do Chile, em 2006, ela termina o segundo mandato com 30% de popularidade, muito abaixo dos 80% registrados ao final de seu primeiro governo, em meio a opiniões divididas sobre o alcance de suas reformas.

- Piñera: desafio de governar sem maioria -Piñera, um empresário bilionário, voltará ao poder após um primeiro mandato, entre 2010 e 2014, com um Congresso dividido - com o avanço da esquerda radical - e a pressão de movimentos sociais que desejam aprofundar as reformas que Bachelet deixou inconclusas.

"Acredito que vai acontecer muita discussão, mas o que ele tentará fazer é mostrar resultados de gestão. Mais política pública que agenda legislativa", afirmou à AFP Lucía Dammert, analista da Universidade de Santiago.

Se a socialista lidou com a promessa de conceder ensino superior gratuito, Piñera terá que administrar uma lei educacional que já garantiu gratuidade para 300.000 estudantes, muito longe de ser universal.

"Piñera deve assumir que precisa concluir a reforma do ensino superior e o que ele vai fazer pode ser muito benéfico para ele, caso consiga encontrar o ponto, ou pode ser realmente explosivo se a opinião pública entender que o governo provoca uma regressão", disse o analista político Marcelo Mella.

- Reformas sociais -O sul do Chile é um foco de tensão com as reivindicações de grupos indígenas mapuche. O discurso de Piñera dá a entender que ele aumentará a pressão, já que ele considera que por trás da série de ataques incendiários estão grupos terroristas.

Os líderes mapuches prometem levar o Estado chileno a tribunais internacionais por supostas violações de seus direitos e perseguição política.

No campo social, Piñera terá que administrar a agenda de direitos civis e de gênero de Bachelet.

O atual governo apresentou um plano de lei de identidade de gênero, mas será a administração de Piñera a responsável por transformar em lei o projeto que estabelece o direito de mudar o nome e o sexo no registro civil.

O novo presidente também definirá se acelera ou congela a tramitação da lei do casamento igualitário, estimulada pela socialista.

Piñera deve negociar ainda uma lei de migração no Congresso.

- Economia -O conservador retorna ao poder com um discurso que mais uma vez prioriza a economia. O Chile, aluno aplicado das políticas neoliberais. cresceu menos de 2% durante o governo de Bachelet.

Os mercados reagiram com otimismo às propostas de Piñera. Os empresários aguardam com expectativa o início de um governo que prometeu incentivos aos investimentos, a reforma da Previdência e a criação de empregos.

As medidas serão beneficiadas pelo aumento do preço do cobre - motor da economia do país- e um Produto Interno Bruto (PIB) que avançou 3,9% em janeiro.

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