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UE estabelece diretrizes para futura relação com Reino Unido

Bruxelas, 23 Mar 2018 (AFP) - Reunidos sem a primeira-ministra britânica, líderes europeus adotaram nesta sexta-feira (23) as diretrizes para a futura relação com o Reino Unido.

Praticamente um ano antes do Brexit, previsto para ser concluído em 29 de março de 2019, o Reino Unido e seus 27 sócios europeus devem começar a definir o futuro de sua relação, incluindo o aspecto comercial, que seria aplicado a partir de 2021, ao final de um período de transição.

E, em "circunstâncias difíceis", "apesar das duras negociações do Brexit, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk comemorou o apoio "unânime" da UE ao Reino Unido diante da Rússia - acusada por Londres do ataque contra um ex-espião russo em solo britânico.

Mas os 27 sócios do Reino Unido alertaram também que o novo período aberto na negociação do Brexit, o da futura relação comercial, não está isento de "atritos" comerciais, já que a cooperação econômica com o Reino Unido será menos próxima.

Durante um jantar de trabalho na quinta-feira, May solicitou aos colegas uma "nova dinâmica para encontrar soluções viáveis na Irlanda do Norte, em nossa futura cooperação de segurança e para um futuro próspero para os cidadãos".

Sua saída do mercado único e da união aduaneira "terá consequências econômicas negativas, em particular no Reino Unido, pois exigirá controles para manter a integridade do mercado da UE e do britânico", advertem os 27 nas diretrizes para a futura relação.

A questão não é trivial, sobretudo no que diz respeito à Irlanda do Norte. Londres e Bruxelas querem evitar o retorno dos controles de fronteira como na época do conflito norte-irlandês entre esta província britânica e a República de Irlanda, membro da UE.

- Irlanda, em junho -Os europeus querem garantir um espaço comum com as mesmas regras e "sem fronteiras internas" na ilha da Irlanda, na ausência de outra solução satisfatória para preservar o Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa de 1998, mas Londres teme que este cenário afete a integridade do país.

Enquanto estuda alternativas, Londres aceitou incluir esta solução no projeto de acordo de divórcio, ao lado dos acordos já alcançados sobre liquidação financeira, sobre os direitos dos expatriados europeus e sobre o período de transição.

"Quando passarmos à etapa de discussão da futura relação, então encontraremos a solução para a fronteira irlandesa", afirmou uma fonte britânica. Na mesma linha, o presidente irlandês, Leo Varadkar, pediu "uma relação o mais estreita possível como o melhor meio de evitar uma fronteira dura".

Os mandatários mantêm a pressão, já que querem um acordo global para outubro. Tusk anunciou que analisarão novamente em junho a questão irlandesa e "como proceder com uma declaração comum" sobre a futura relação.

Os europeus defendem a negociação de um acordo de livre-comércio "ambicioso" com o Reino Unido e, embora as orientações não façam uma referência direta aos serviços financeiros, uma fonte de Luxemburgo indicou que poderiam adotar um sistema de equivalências, como acontece com a Suíça.

- Gibraltar, nos 'próximos meses' -A saída do Reino Unido da UE pode avivar as tensões em Gibraltar. Situado no extremo-sul da Espanha, esse território com mais de 30.000 habitantes pertence ao Reino Unido desde 1713, mas tem a soberania reivindicada por Madri há muitos anos.

Em abril de 2017, a UE concedeu a Madri o poder de vetar a aplicação do futuro acordo em Gibraltar, caso não exista um acordo bilateral prévio com Londres. Este princípio também seria aplicado na questão do período de transição.

"Já iniciamos negociações bilaterais com o Reino Unido", "elas avançam satisfatoriamente" e "esperamos alcançar um acordo nos próximos meses", anunciou o presidente do governo espanhol Mariano Rajoy.

Madri, que chegou a acusar o território de ser um paraíso fiscal e de tolerar o contrabando de tabaco, busca na negociação "acabar com as situações de tráfico ilegal", "melhorar a transparência e os intercâmbios de informações fiscais" e abordar "o uso futuro do aeroporto", detalhou Rajoy.

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