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Conferência internacional busca evitar quebra do Estado libanês

04/04/2018 13h42

Beirute, 4 Abr 2018 (AFP) - Paris vai receber, nesta sexta-feira (4), uma conferência internacional para socorrer o Líbano, onde a crise econômica e financeira desperta o temor de quebra do Estado.

Há sete anos, a crise política prejudica a economia libanesa. A atual Câmara dos Deputados prorrogou seu mandato três vezes, e as eleições legislativas previstas para maio serão as primeiras desde 2009.

Isso se soma à guerra na vizinha Síria, que levou cerca de 1 milhão de refugiados ao Líbano.

A conferência, chamada CEDRE, terá a participação de representantes de vários países árabes e europeus, assim como de instituições financeiras regionais e internacionais.

O Líbano espera arrecadar entre 6 bilhões e 7 bilhões de dólares entre empréstimos e doações, disse à AFP Nadim Mounla, conselheiro do primeiro-ministro libanês, Saad Hariri.

As autoridades acabam de aprovar, no limite, um novo orçamento para 2018, que prevê um déficit de 4,8 bilhões de dólares, frente aos 2,3 bilhões em 2011, o ano em que começou a guerra da Síria.

"A probabilidade de uma crise sistêmica é muito elevada", garante o economista Paul Doueihy.

Em fevereiro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou o governo libanês para o peso da crescente dívida pública e para a necessidade de executar reformas estruturais.

Segundo seus dados, a dívida chegaria a 80 bilhões de dólares, o que equivale a 150% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse é o terceiro percentual entre dívida e PIB mais alto do mundo, atrás de Japão e Grécia.

Apesar disso, o Estado continua aumentando os gastos.

Em julho, o Parlamento adotou um aumento de salários no setor público, com custo anual estimado em mais de 1 bilhão de dólares.

"Além disso, o Estado contratou 26 mil novos funcionários nos últimos três anos", explica Nasib Ghobril, diretor de pesquisa no Byblos Bank.

Paralelamente, a moeda libanesa poderia enfrentar uma desvalorização.

Em novembro passado, o Banco Central do Líbano (BDL) sacou mais de 800 milhões de dólares de suas reservas de divisas estrangeiras para conservar a taxa de câmbio fixa de 1507,5 libras por dólar, estabelecida em 1997. Mas os especialistas indicam que a libra está supervalorizada.

A estabilidade monetária provocou um aumento substancial das taxas de juros - de 6% a 9% em média nos depósitos em libras - que poderia frear os investimentos e aumentar o endividamento do Estado.

Recentemente, o governo também adotou um aumento do imposto IVA para financiar os salários dos funcionários.

"Em um contexto de crescimento fraco, é difícil aumentar os impostos e reduzir o poder aquisitivo", afirmou Marwan Barakat, diretor de pesquisa do Bank Audi.

O Estado ainda poderia combater a fraude fiscal, avaliada em 4,2 bilhões de dólares anuais.

"Se houver uma vontade política séria, o Líbano pode recuperar até metade do que não recebe, cerca de 2 bilhões ao ano", garante Barakat.

Outro dos grandes problemas da economia libanesa é a corrupção.

Em seu último informe, a ONG Transparência Internacional colocou o Líbano em 143º lugar entre os 180 países de seu ranking de percepção da corrupção.

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