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Volkswagen se prepara para mudar de presidente e de rumo

Berlim, Alemanha, 12 Abr 2018 (AFP) - A gigante automobilística alemã Volkswagen muda, nesta quinta-feira (12) de presidente-executivo, enquanto o grupo busca uma nova direção após o escândalo do diesel, que abala o setor desde 2015.

A direção do maior fabricante de automóveis deve substituir o presidente, Matthias Müller, por Herbert Diess, atual diretor da marca VW no grupo, de acordo com diversos veículos de imprensa.

A Volkswagen anunciou na terça-feira que "previa mudanças" em sua cúpula, sem confirmar nem desmentir as informações dos meios sobre a saída de seu presidente.

Em um comunicado aos investidores, o grupo afirmou simplesmente que Müller disse estar "disposto a contribuir com mudanças".

Matthias Müller foi chamado para resgatar a Volkswagen em 2015, no ápice do escândalo dos motores a diesel alterados, para substituir o dirigente anterior, Martin Winterkorn, forçado a renunciar.

Müller, ex-presidente da filial Porsche, assinou um contrato até 2020 e lançou uma reestruturação maciça centrada na eletrificação e na redução de custos, com a intenção de tirar a Volkswagen da tempestade.

- Menos vulnerável? -"Müller chegou claramente como um gestor de crise e a maior parte desta tarefa já foi realizada", avaliou Jürgen Pieper, analista automotivo no banco Metzler, contactado pela AFP.

O escândalo, que rendeu uma série de processos contra o grupo nos Estados Unidos e na Europa, custou, desde então, cerca de 25 bilhões de euros à fabricante.

A Volkswagen é acusada de ter alterado o software de 11 milhões de veículos para ocultar o nível real de suas emissões de óxido de nitrogênio (NOx), um gás muito poluente, associado a problemas respiratórios e cardiovasculares.

Embora o novo dirigente Herbert Diess também seja alvo de um dos muitos processos em curso, sua chegada tardia à empresa lhe torna menos vulnerável aos casos judiciais, concordam observadores.

"Uma evolução em outra direção é positiva", considera Jürgen Pieper, descrevendo Diess como um "administrador muito bom de custos", que parece em sua opinião "a melhor solução para a sucessão, pelo menos para os próximos cinco anos".

Espera-se que Diess, que conta com o apoio dos principais acionistas, as famílias herdeiras Porsche-Piëch, lidere a marca e o grupo Volkswagen, como o "superchefe" Winterkorn.

- Caminho mais claro -Diess foi chamado em 2015 por essas duas famílias para assumir a VW e pode se orgulhar de ter duplicado, em dois anos, a rentabilidade da marca, simultaneamente beneficiando as contas do grupo: a fabricante voltou a marcar, no ano passado, lucros recordes, mais que dobrando seu lucro líquido, com 11,35 bilhões de euros.

Contudo, apesar dos ares de mudança e da vontade de acelerar a eletrificação parcialmente iniciada por Diess, a Volkswagen ainda deve esclarecer seu caminho, entre a queda do diesel, muito estratégico para a indústria automobilística alemã, e o auge dos modelos elétricos e autônomos.

Para os modelos de luxo elétricos, em particular, as fabricantes alemãs estão lutando para se atualizar frente à concorrência, sobretudo americana.

Embora Diess seja conhecido por sua abertura a este novo mundo, nesta terça o próprio afirmou que "precisamos do diesel, o diesel tem futuro".

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