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FMI ameaça Venezuela por não fornecer dados econômicos

  • Miraflores Palace/Reuters

Washington, 2 Mai 2018 (AFP) - O FMI (Fundo Monetário Internacional) informou nesta quarta-feira (2) ter ordenado que a Venezuela providencie rapidamente dados econômicos cruciais, ameaçando expulsar o país, em um processo conhecido como "censura".

O FMI concluiu que a Venezuela não implementou medidas ordenadas pelo organismo, nem providenciou informações fundamentais.

"O fundo emitiu uma declaração de censura contra a Venezuela", afirmou em nota. "O Comitê Executivo apelou à Venezuela para adotar medidas corretivas específicas e vai se reunir novamente daqui a seis meses para avaliar o progresso da Venezuela na implementação".

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Abalada pela crise, a situação da Venezuela foi descrita recentemente pelo FMI como um dos piores colapsos econômicos da história moderna. Como ela não tem empréstimos com o fundo, na prática, a medida tem pouca influência para provocar mudanças.

Em novembro, o FMI sancionou a Venezuela por não fornecer dados econômicos, como exigido de todos os membros. O credor sediado em Washington, que monitora as economias de seus 189 membros, não consegue conduzir a revisão anual da economia venezuelana desde 2004.

Só um país foi excluído do FMI na história

Entre as possíveis consequências da censura do FMI estão a suspensão do direito de voto, a suspensão do financiamento e, em casos extremos, a exclusão. O fundo só tomou este último passo uma vez, excluindo a Tchecoslováquia em 1954.

O FMI "censurou" a Argentina em 2013 devido a críticas de dados econômicos e inflacionários que os economistas consideravam pouco realistas. O fundo retirou este status em 2016 e retomou as avaliações fiscais anuais.

"O fundo está pronto para trabalhar construtivamente com a Venezuela na direção de resolver sua crise econômica, quando ela estiver preparada para se reengajar com o fundo, inclusive através da disponibilização regular de dados", disse o FMI.

O último financiamento fornecido pelo FMI para a Venezuela foi em 2001, e o país não buscou verbas do fundo desde então.

Recessão e hiperinflação

Funcionários do FMI estimam que a economia da Venezuela se retraiu cerca de 45% no último ano. O país também enfrenta a hiperinflação --seus preços devem subir 13.000% neste ano, de acordo com o FMI.

E a produção de petróleo caiu pela metade nos últimos 18 meses, segundo Alejandro Werner, diretor do Departamento de Hemisfério Ocidental do FMI.

"É uma das piores crises econômicas que vimos na história econômica moderna", disse Werner à margem da reunião de primavera (no hemisfério norte) do FMI.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, tentará se reeleger em 20 de maio, num pleito criticado por grande parte da comunidade internacional.

Em um comunicado na Cúpula das Américas, Washington e o Grupo de Lima --que inclui 16 nações, entre elas as maiores economias da América Latina-- disseram que a eleição seria "vazia de legitimidade e credibilidade" se ocorresse nas condições atuais.

Entenda a crise econômica na Venezuela

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