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Mais de 120.000 hectares de florestas desaparecem na Amazônia peruana por ano

Lima, 8 Mai 2018 (AFP) -

Uma espécie de câncer que destrói tudo por onde passa está afetando a Amazônia do Peru: o desmatamento.

De 2001 a 2016, a Amazônia peruana perdeu 1.974.209 hectares de florestas, o que equivale a cerca de 123.388 hectares a menos por ano, segundo o Programa Nacional de Conservação de Florestas (PNCB) do Ministério do Meio Ambiente.

A agricultura, a pecuária, o corte ilegal de árvores, a mineração ilegal e o narcotráfico são os principais agentes destruidores das florestas amazônicas, disse à AFP o coordenador executivo do PNCB, César Calmet.

"Se não forem tomadas decisões, poderia-se chegar a magnitudes de 300.000 a 400.000 hectares anuais" desmatados, alertou.

Segundo imagens de satélite, em 2017 desapareceram 143.000 hectares de floresta amazônica no Peru, "o equivalente a 200.000 campos de futebol", segundo o site especializado em temas do meio ambiente Mongabay.

O Peru é um dos 17 países "megadiversos" do planeta, que em conjunto abrigam mais de 70% da biodiversidade mundial. Além disso, é o segundo país em floresta amazônica, depois do Brasil, segundo o PNCB.

Situada a leste das montanhas dos Andes, a Amazônia representa um terço do território peruano.

Em 2015, o país tinha 69 milhões de hectares de floresta tropical. Esta permite absorver o carbono do meio ambiente, um dos causadores do aquecimento global.

- Esforço para reflorestar -A região amazônica de Madre de Dios, no sul do país, é o epicentro da mineração ilegal. Nela, o desmatamento triplicou, passando de 5.000 hectares em 2001 a 17.000 em 2016.

Os milhares de mineiros utilizam dragas, dinamite e mercúrio para extrair ouro, destruindo tudo em seu caminho, segundo as autoridades.

Além disso, a mineração ilegal é acompanhada por problemas como o tráfico de pessoas, assassinatos e sequestros, segundo o governo e organismos de direitos humanos.

Nessa região o desmatamento está chegando às áreas reservadas, afetando etnias que viviam isoladas, como os mashco-piro, que tiveram que sair para procurar comida.

Em janeiro, o papa Francisco visitou Madre de Dios durante sua viagem ao Peru para ressaltar seu compromisso com a proteção dos povos nativos e o meio ambiente.

Além disso, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) anunciou há alguns dias que 155.000 árvores serão plantadas este ano em 140 hectares da Amazônia para recuperar zonas degradadas pela mineração ilegal.

No entanto, este número equivale a apenas 0,1% da superfície desmatada por ano no país.

- Altos níveis de mercúrio -O mercúrio é utilizado pelos mineiros para separar o ouro de outros elementos. Depois, os resíduos são lançados nos rios, contaminando as águas e os peixes que os indígenas consomem.

Essa contaminação atingiu a etnia Nahua, que habita uma área protegida na região de Cusco, vizinha a Madre de Dios.

Em maio de 2016, o governo do então presidente Ollanta Humala declarou Madre de Dios em emergência pela poluição, depois de que as autoridades "detectaram mercúrio nas águas dos rios, nas espécies hidrobiológicas e na população, com valores superiores aos limites máximos permitidos".

No entanto, dois anos depois as autoridades locais se queixam de que nada foi feito para remediar a situação.

- Agricultores e narcotraficantes - Há quatro grandes focos de desmatamento na Amazônia peruana: "as províncias de Tarapoto e Yurimaguas na região de Loreto, nas regiões de Huánuco e Pasco, na região San Martín, e em Madre de Dios", disse Daniel Castillo, da Área Técnica do PNCB.

Os agricultores também estão entre os predadores, devido ao costume de queimar florestas para limpar as terras antes de cultivá-las. "Quando a porção se torna infértil, o agricultor se traslada a uma nova porção e faz a mesma coisa", disse Castillo.

O cultivo de dendezeiros necessita grandes extensões para ser rentável, de modo que os produtores derrubam florestas, indicou Calmet.

Os narcotraficantes também desmatam para plantar folha de coca, matéria-prima da cocaína. E, além disso, seus resíduos químicos poluem terras e cursos de água, segundo os funcionários.

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