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Presidente da Petrobras pede demissão

01/06/2018 21h20

Rio de Janeiro, 2 Jun 2018 (AFP) - O presidente da Petrobras, Pedro Parente, pediu demissão nesta sexta-feira (1), depois da crise de abastecimento provocada pela greve de caminhoneiros contra a alta dos preços do diesel.

As ações da petroleira chegaram a cair mais de 20% após o anúncio mas, no fechamento da Bovespa, às 18h00, as ações preferenciais recuavam 14,86% e as ordinárias 14,92%.

Ivan Monteiro, atual diretor financeiro da estatal, foi nomeado presidente interino.

Na noite desta sexta-feira, em Brasília, Temer conversou com Ivan Monteiro e deu seu aval para que ocupe a presidência da Petrobras de forma permanente.

"Ivan Monteiro é a garantia de que rumo (da Petrobras) permaneça inalterado", destacou Temer em declaração no Palácio do Planalto.

"Não haverá qualquer interferência na política de preços" da Petrobras. "Continuaremos com a política econômica que tirou a empresa do prejuízo e a trouxe novamente para o rol das mais respeitadas do Brasil e do exterior", declarou Temer, agradecendo a "extraordinária dedicação" de Pedro Parente para a recuperação de companhia.

Parente deixou o cargo depois de Michel Temer ter cedido às demandas de caminhoneiros, garantindo descontos subsidiados ao diesel por um período de 60 dias.

Isso abalou a autonomia que a Petrobras tinha desde 2016 para estabelecer seus próprios preços - uma ferramenta crucial para investidores.

Depois da greve, que durou nove dias e afetou as entregas de combustível e alimentos no país, Temer deu sinais de que o governo poderia voltar a estabelecer os preços. Depois, voltou atrás e insistiu em que a autonomia da Petrobras seria mantida.

A Petrobras também estava sob pressão dos trabalhadores petroleiros, que inciaram na quarta-feira uma paralisação de 72 horas - já encerrada -exigindo a demissão de Parente.

- Saída antes de piorar -Parente presidiu a Petrobras desde julho de 2016. Ele recebeu a empresa com o desafio de resgatar sua credibilidade e saúde financeira da petroleira - envolvida no maior escândalo de corrupção da história do país, revelado pela Operação Lava-Jato.

Autoridades e empresários brasileiros desviaram dinheiro da Petrobras por anos por meio de contratos e propinas.

O escândalo atingiu de Temer ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre pena de 12 anos de prisão.

Numa carta a Temer publicada nesta sexta-feira, Parente disse ter deixado a Petrobras "com reputação recuperada, indicadores de segurança em linha com as melhores empresas do setor, resultados financeiros muito positivos", mas que "a minha permanência na presidência da Petrobras deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente".

Parente defendeu a política de preços da Petrobras - com reajustes frequentes, por vezes diários - afirmando que a alta dos preços reflete "choques que alcançaram a economia global, com seus efeitos no País".

Contudo, a saída foi considerada uma vitória pelo diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Simão Zanardi.

"Ele era muito mais empregado do mercado do que era da Petrobras", afirmou.

André Perfeito, da consultoria financeira Spinelli, disse que Parente abandonou o barco.

"O Parente percebeu que as tensões sociais tendem a continuar elevadas no Brasil. De um lado, tem alguns políticos pedindo a demissão dele e, do outro, muito do que foi negociado com os caminhoneiros não vai poder ser entregue", disse Perfeito.

"Antecipando isso ele falou: 'Olha, eu prefiro ficar fora desse movimento'".

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