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Trump sugere transformar Nafta em acordos separados com Canadá e México

Washington, 1 Jun 2018 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu nesta sexta-feira (1) que os Estados Unidos poderiam buscar acordos comerciais separadamente com México e Canadá para substituir o Acordo Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), que agrupa os três países há 24 anos.

"Para ser honesto, não me importaria em ver o Nafta, que teria um nome diferente, como um acordo separado com o Canadá e outro com o México. Estamos falando de dois países muito diferentes", disse Trump à imprensa na Casa Branca.

Em vigor desde 1994, o Nafta está sendo renegociado a pedido de Trump, que classifica o acordo como "desastroso" para seu país, argumentando que lhe custou empregos e investimentos.

"Foi um mau negócio para os Estados Unidos desde o primeiro dia. Perdemos muito dinheiro com o Canadá e perdemos uma fortuna com o México. Isso nunca mais vai acontecer", disse Trump.

"O México tomou nossas empresas automobilísticas, um grande percentual delas, e isso não pode ficar assim", destacou.

A revisão no Nafta ficou estagnada nas últimas semanas por divergências dos parceiros acerca de setores estratégicos como o automobilístico. Washington defende que um percentual maior dos componentes de veículos montados na região sejam produzidos em seu território.

- Críticas ao Canadá -Esse objetivo americano, bem como a inclusão de uma cláusula que forçaria a renegociar o acordo a cada cinco anos, encontrou forte resistência dos representantes de México e Canadá.

"Eu gosto do livre-comércio, mas quero um comércio justo. No mínimo, quero um comércio justo", insistiu Trump, horas depois de impor tarifas às importações de alumínio e aço de seus três principais parceiros: Canadá, México e União Europeia.

No México, o secretário da Fazenda, José Antônio González, avaliou ser "muito difícil" encerrar qualquer negociação antes das eleições presidenciais mexicanas de 1º de julho.

Também "é muito difícil negociar assim quando se adotam medidas repentinas desta natureza", disse González.

Mais cedo, em um tuíte, Trump atacou o Canadá, que acusou de "tratar muito mal" aos agricultores americanos e de impor medidas comerciais muito restritivas. "Eles têm que abrir seus mercados e eliminar suas barreiras comerciais", afirmou.

O presidente americano também citou brevemente o conflito sobre a madeira com seu vizinho do norte, que influencia as relações comerciais entre os dois há anos.

- 'É negativo' - O Canadá é responsável por metade das importações de alumínio dos Estados Unidos. Nesta sexta, o país apresentou uma demanda na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas "ilegais" dos Estados Unidos

"Essas tarifas unilaterais, impostas sob um falso pretexto de salvaguardar a segurança nacional americana, são inconsistentes com as obrigações comerciais dos Estados Unidos e as regras da OMC", disse a ministra de Relações Exteriores Chrystia Freeland em nota.

O Canadá vai coordenar seu caso na OMC com o da União Europeia, que também apresentou uma denúncia. O país ainda solicitou uma revisão das medidas americanas no mecanismo de solução de controvérsias do Nafta.

Após a decisão americana, o país disse a possibilidade de os diálogos sobre o Nafta alcançarem um desfecho positivo foi reduzida.

"Certamente, a decisão tomada sobre essas tarifas não é propícia para um diálogo positivo", disse o ministro canadense de Finanças, Bill Morneau.

"É negativo para os canadenses (...) e seu direito a uma economia forte e robusta para suas famílias", afirmou.

O Secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, lançou dúvidas sobre o futuro do Nafta, explicando que Washington não estenderia as isenções tarifárias para o México e o Canadá, originalmente sujeitas ao fim da revisão do pacto comercial, porque as negociações estão tomando "mais tempo" do que o esperado e não há uma "data muito precisa" para serem concluídas.

Trudeau também disse na quinta-feira que o vice-presidente americano, Mike Pence, insistiu em incluir a "cláusula do crepúsculo" (que prevê a renegociação e renovação do acordo a cada cinco anos) como pré-condição para se reunir e discutir um acordo final.

Essa proposta, que autoridades canadenses e grande parte da indústria americana consideram uma "pílula venenosa", fez com que a reunião final ainda não tenha ocorrido, disse Trudeau.

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