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UE se une à batalha mundial contra protecionismo de Trump

Bruxelas, 1 Jun 2018 (AFP) - A União Europeia (UE) lançou nesta sexta-feira (1º) sua primeira contra-ofensiva às tarifas pesadas sobre o aço e o alumínio, enquanto os Estados Unidos iniciaram reuniões no Canadá com ministros de Finanças de seus principais parceiros, revoltados com a medida.

Em Washington, o presidente Donald Trump citou a possibilidade de encerrar o Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), criando acordos bilaterais separados com Canadá e México.

Bruxelas e Ottawa registraram processos na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a decisão de Washington. A UE, o Canadá e o México também ameaçaram com rígidas tarifas de retaliação, revidando a ofensiva comercial de Trump.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse estar "profundamente desapontada" e reiterou a exigência de que a Grã-Bretanha e a UE fiquem "permanentemente isentas" das tarifas de metais "injustificadas".

Quando o G7 de ministros foi aberto no Canadá, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, enfrentou uma reação dura de seus colegas, que acusaram Trump de prejudicar a economia mundial com medidas que poderiam levar à morte de todos os envolvidos.

- G6 + 1 -O ministro das Finanças do Canadá, Bill Morneau, disse que as discussões do G7 seriam "difíceis".

"Estamos enviando a mensagem de que essas medidas não são úteis", declarou à imprensa.

Já o ministro das Finanças da França, Bruno Le Maire, afirmou que a Europa "não negociará com uma arma apontada para nossas cabeças".

Também participam da reunião representantes de Grã-Bretanha, Alemanha, Itália e Japão.

"Infelizmente, estamos sendo tratados como um G6 + 1, com os Estados Unidos enfrentando o resto e arriscando a desestabilização econômica do planeta", disse Le Maire.

Trump decidiu na quinta-feira não prolongar a isenção temporária dada em março à UE, ao México e ao Canadá - aos quais impôs, a partir desta sexta-feira, tarifas de 25% sobre as importações de aço e de 10% às de alumínio.

E a UE, que vinha se preparando para a batalha, decidiu partir para a ofensiva nesta sexta, levando o caso à OMC, enquanto suas represálias contra produtos emblemáticos americanos, como o uísque bourbon, poderão entrar em vigor em 20 de junho.

"Se os atores no mundo não cumprem as regras, o sistema poderá colapsar. Por isso, estamos levando os Estados Unidos e a China à OMC", declarou a comissária europeia de Comércio, Cecilia Malmström.

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse a seu equivalente americano em uma ligação que as tarifas são "ilegais", e Merkel afirmou que a medida "corre o risco de despertar espirais de escalada que no fim vão ferir a todos".

O Canadá anunciou um pacote de retaliações em importações americanas avaliadas em 12,8 bilhões de dólares.

Já o México afirmou que irá impor tarifas retaliatórias sobre diversos produtos americanos, como aço, carne de porco, maçãs e queijo.

- Decisão 'ilegal' -O instituto de análise Oxford Economics alertou, no entanto, que "o perigo real para a UE é a ausência de uma resposta estratégica ao programa "America First" (Estados Unidos primeiro) de Trump, especialmente quando o aço e o alumínio representam apenas 0,1% de suas exportações para os americanos.

A UE vem repetindo que sua resposta seria proporcional e dentro das regras da OMC.

"Defendemos um sistema multilateral para um comércio global baseado em regras", disse Malmström, para quem "os Estados Unidos jogam um jogo perigoso".

A ofensiva americana põe à prova a capacidade dos 28 países de se unirem em uma só voz e, sobretudo, do motor franco-alemão do bloco: a primeira e a segunda economias da zona do euro defenderam estratégias diferentes nas últimas semanas.

- Temores sobre rodas -Diante de uma França mais partidária da linha-dura, a Alemanha, uma potência exportadora e com importante indústria automotiva, defendeu nas últimas semanas evitar a escalada, por meio de um acordo com Washington, uma proposta que Trump respondeu com novas ameaças de tarifas aos veículos.

Os Estados Unidos declarariam realmente uma guerra comercial se confirmarem sua ameaça de taxas às importações de veículos, alcançando "o coração do reator dos intercâmbios internacionais", considera Sébastien Jean, especialista em economia mundial do CEPII.

"Isso faz temer que este seja o começo de uma evolução negativa das medidas e contramedidas, ao fim da qual não há vencedores", alertou a fabricante alemã Volkswagen.

O impacto econômico das tarifas americanas sobre o aço e o alumínio é relativamente limitado, mas o maior risco é uma escalada, com represálias e contrarrepresálias, que poderiam afetar gravemente a ordem comercial mundial.

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