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Produção de petróleo da Venezuela continua estagnada, diz Opep

12/06/2018 15h53

Caracas, 12 Jun 2018 (AFP) - A produção de petróleo da Venezuela, que o governo tenta recuperar, continua estagnada, em seu nível mais baixo em três décadas, segundo relatório da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep).

O relatório aponta que, segundo dados do governo venezuelano, a produção de maio de 2018 fechou em 1,53 milhão de barris por dia (mbd), 24 mil a mais que os relatados em abril, 1,5 mbd.

Contudo,a Opep também apresenta no relatório os dados de produção da Venezuela relatados por fontes secundárias: 1,39 mbd, uma redução de 42 mil barris em relação a abril.

Essa produção é a menor em 30 anos e se aproxima da de março de 1950, quando o país produzia 1,38 mbd, segundo dados da PDVSA citados pela consultoria Capital Market.

Em janeiro passado, o número já havia caído para mínimos históricos em três décadas, quando foi a 1,6 mbd.

A empresa Ecoanalítica estimou que o país petrolífero, afundado em uma de suas piores crises econômicas, poderá fechar este ano com uma produção de 1,2 milhão de barris por dia.

O governo de Nicolás Maduro admite a queda e a atribui à má gestão na petroleira estatal PDVSA - onde vários casos de corrupção vieram à tona - e a investimentos reduzidos em infraestrutura devido à queda nos preços do petróleo nos últimos anos.

Maduro, que também acusou os Estados Unidos de se infiltrarem na PDVSA para destruir a indústria por meio da corrupção, anunciou na semana passada que vai realizar um plano para aumentar a produção de petróleo em pelo menos 1 milhão de barris.

Desde agosto do ano passado, autoridades da Venezuela prenderam 80 funcionários da petroleira, inclusive 22 gerentes e dois presidentes, por supostamente fazer parte de vários "esquemas de corrupção" por pelo menos 40 bilhões.

Os especialistas, por sua vez, vinculam a queda ao financiamento, pela PDVSA, de um déficit fiscal estimado em 20% do Produto Interno Bruto PIB).

O petróleo gera 96% das divisas da Venezuela, que detém as maiores reservas da commodity no mundo e cuja crise combina hiperinflação e escassez de bens básicos.

O país atingiu sua produção máxima em 1970, com 3,78 mbd. Desde então, o nível mais baixo foi em 1987, segundo a OPEP, com uma média de 1,49 mbd no primeiro semestre.

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