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Indústria aeronáutica se reúne em Farnborough em clima de otimismo apesar do Brexit

15/07/2018 09h54

Paris, 15 Jul 2018 (AFP) - O Salão aeronáutico de Farnborough começa nesta segunda-feira no Reino Unido em um contexto de forte crescimento do setor aéreo, cujo principal desafio continua sendo aumentar a produção de aviões para satisfazer uma demanda crescente, apesar do Brexit.

"O mercado pode absorver tudo o que podemos entregar atualmente", garantiu Ihssane Mounir, diretor-geral da Boeing, durante o Paris Air Forum no fim de junho.

"O mercado está aí e funciona muito bem nas zonas geográficas mais conhecidas", afirmou seu homólogo da Airbus, Eric Schultz. "Nosso principal problema é satisfazer esta demanda", reconheceu.

A Airbus, gigante europeia da indústria aeronáutica, prevê dobrar a nível mundial sua frota de aviões comerciais durante os próximos 20 anos, com o objetivo "de chegar às 48.000 naves" em 2037, enquanto dispõe de 21.450 aviões atualmente.

Segundo as últimas previsões do grupo franco-alemão, o crescimento do tráfego aéreo de 4,4% ao ano torna necessária a fabricação de 37.390 novos aviões até 2037 - um investimento de 5,8 bilhões de dólares.

Durante o salão britânico de Farnborough, o grupo americano Boeing publicará suas previsões, que devem ser parecidas com as da concorrente europeia.

O principal setor de crescimento continuam sendo os trajetos de média distância das companhias de baixo custo.

A Airbus considera que para fornecer apenas para essas companhias são necessários 28.550 novos aviões, o que representa mais de 75% da demanda.

O principal desafio para os fabricantes aeronáuticos é aumentar a cadência de produção de aviões, embora as cadeias de produção já estejam em um ritmo muito intenso.

A Airbus, que almeja fabricar 800 aviões ao ano, desacelerou sua produção devido ao atraso no fornecimento de motores para o modelo A320neo, devido a problemas nos grupos fabricantes Pratt&Whitney e CFM.

O crescimento significativo na produção de aviões serviu para consolidar a indústria aeronáutica durante os dois últimos anos.

A última operação destaca no setor foi a aproximação estratégica entre a Boeing e o grupo brasileiro Embraer, como reação à aliança entre Airbus e o grupo canadense Bombardier, que foi efetivada em 1 de julho.

- Temor por 'Brexit duro' -Apesar da boa saúde do setor aéreo, o Salão de Farnborough será realizado em meio à incerteza sobre as futuras relações do Reino Unido com a União Europeia (UE) após o Brexit.

Tom Enders, presidente da Airbus, que fabrica as asas de seus aviões no Reino Unido, alertou que as consequências "seriam muito severas no caso de um Brexit duro ou desorganizado".

Enders estava preocupado com a possível saída do Reino Unido da Agência Europeia para a Segurança da Aviação.

"Se isso acontecesse, os certificados de milhares de partes de nossos aviões deixariam de ser válidos em abril, o que poderia interromper nossa produção", disse.

Paul Everitt, presidente da ADS, um grupo de empregadores do setor aeronáutico britânico, ficou ainda mais desconfortável com a hipótese de um Brexit duro. "Nosso pior cenário é que os aviões parem de voar", afirmou.

dlm/sw/boc/esp/eb/age/ll

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