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UE diz que plano britânico para pós-Brexit desperta 'questões'

20/07/2018 12h34

Bruxelas, 20 Jul 2018 (AFP) - O "livro branco" apresentado por Londres sobre a futura relação do Reino Unido com a União Europeia (UE) desperta uma série de questões no setor econômico, afirmou nesta sexta-feira (20) Michel Barnier, negociador europeu para o Brexit.

"Sobre a futura relação econômica, o livro branco desperta questões em três aspectos", afirmou Barnier, que questiona se as proposta britânicas são viáveis, respeitam "os interesses da UE" e são "compatíveis com os princípios de negociações estabelecidos pelos europeus".

Londres e Bruxelas devem chegar a um acordo antes do fim de outubro sobre sua separação e suas futuras relações uma vez que se efetive a saída do Reino Unido da UE.

Contudo, os dirigentes europeus estão inquietos com a situação atual dos diálogos e as mudanças de estratégia da primeira-ministra britânica, Theresa May.

No "livro branco" apresentado no começo deste mês, May propõe um Brexit brando, que consistiria em uma nova zona de livre-comércio com um conjunto de regras comuns em relação aos bens e aos produtos agroalimentares.

Em coletiva de imprensa, Barnier admitiu que "diversos elementos" do plano abrem caminho "para uma discussão construtiva", mas indagou se esta proposta britânica respeita "a integridade do mercado interior, a união aduaneira e nossa política comercial comum".

"Nossa responsabilidade é proteger o mercado interno da UE" e "os consumidores", afirmou.

Outro aspecto que o negociador europeus para o Brexit questionou foi a viabilidade das propostas de Londres, especialmente no âmbito das aduanas.

O governo britânico propõe aplicar dois tipos de taxas diferentes dependendo do destino dos produtos ao chegarem às suas fronteiras - um para o mercado interno, outro para o europeu.

"Como os serviços aduaneiros poderiam verificar o destino final do produto? Não há um risco maior de fraude?", indagou, expressando preocupação também para "uma burocracia adicional".

"Como a União poderia delegar a aplicação das regras aduaneiras a um país que não é mais membro da União?", questionou o negociador.

O dirigente francês ainda lembrou que as propostas britânicas poderiam representar uma "concorrência desleal" em prejuízo das empresas europeias.

Antes de falar sobre a futura relação, Barnier reforçou que o principal objetivo da UE é alcançar um acordo de saída "ordenada" do Reino Unido e regular a espinhosa questão da fronteira irlandesa - o principal entrave dessas discussões.

"O que precisamos não é de mais tempo, é de escolhas, decisões, clareza (...) e certeza jurídica", reforçou, acrescentando que a UE também deve se preparar para a possibilidade de não haver acordo.