ipca
-0,21 Nov.2018
selic
6,5 31.Out.2018
Topo

Empresário inglês se revolta: 'Dane-se o Brexit'

09/10/2018 16h01

Londres, 9 Out 2018 (AFP) - Uma placa de 30 metros de amarelo vibrante, ao lado da linha de trem, rouba a atenção dos milhares de moradores de Londres que passam ali diariamente: "Dane-se o Brexit". Seu autor é Charlie Mullins, um empresário ferreamente contrário a sair da União Europeia (UE).

"Por que esta placa? Porque acho que é preciso lutar pelas empresas", explica à AFP Charlie Miullins, presidente e fundador da Pimlico Plumbers, empresa britânica de encanamento.

"Não estamos dispostos a deixar nossos negócios afundarem ou serem prejudicados" por causa do Brexit, afirma.

Para quem conhece Charlie Mullins, esta iniciativa provocativa não é nada surpreendente. Este fã de Rod Steward, autodidata, de 64 anos, penteado como uma estrela do rock e com quatro filhos, é conhecido por não ter papas na língua.

Nascido em uma família "muito pobre", ele deixou a escola aos 15 anos para assumir a empresa de encanamento e hoje a companhia tem 450 funcionários e faturamento de 40 milhões de libras (US$ 52 milhões).

"Antes, dava dinheiro para o Partido Conservador" da primeira-ministra britânica Theresa May, diz ele. Mas "eu mudei para o Partido Liberal Democrata (de centro e pró-europeu), o único que hoje faz campanha para parar o Brexit".

Deixar a UE é para ele, uma "catástrofe", um "acidente de trânsito à espera de acontecer" e "o pior para o Reino Unido desde a Segunda Guerra Mundial", diz este sexagenário com o típico sotaque das classes populares de Londres.

O Brexit "já nos custa 500 milhões de libras por semana", diz ele, citando dados do instituto de pesquisas Centre for European Reform.

Para Mullins, a salvação está na organização de um novo referendo, uma proposta que ganha cada vez mais adeptos, mas até agora foi firmemente rejeitada pelo governo.

"Estou convencido de que se houvesse outra votação, a permanência (na UE) provavelmente venceria com 60% dos votos", afirma, considerando que o resultado do primeiro referendo em 2016 (52% a favor do Brexit) foi adulterado por "armadilhas" e "informações falsas" daqueles a favor da separação.

Mais Economia