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FMI pede 'desescalada' das tensões comerciais

10/10/2018 11h38

Nusa Dua, Indonésia, 10 Out 2018 (AFP) - Os países devem reparar o sistema global de comércio e não destruí-lo, pediu nesta quarta-feira a diretora do FMI, Christine Lagarde, que apelou por uma "desescalada" das tensões comerciais.

"Precisamos trabalhar juntos para reduzir a escalada e resolver as disputas comerciais atuais", disse Lagarde em uma conferência na ilha indonésia de Bali, onde o FMI e o Banco Mundial realizam suas reuniões anuais.

"É tentador ficar um pouco deprimido neste contexto, mas sou otimista porque há realmente um desejo de melhorar e desenvolver as relações comerciais no mundo", disse ela, destacando, em particular, os progressos que representam a nova versão do acordo comercial entre os Estados Unidos, México e Canadá.

"Devemos combinar esforços para reparar o sistema comercial global, não destruí-lo", insistiu ela.

No caso de "uma guerra comercial de grande escala, o comércio mundial poderá retroceder 17,5%" e o crescimento do PIB global perderá "1,9 ponto percentual", alertou, por sua vez, o brasileiro Roberto Azevedo, diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), citando um estudo realizado pela organização.

"Os Estados Unidos e a China sofrerão muito", assim como os países cujas economias são mais integradas, afirmou.

- Reforma da OMC -Os países membros desta organização, constantemente criticada pelos Estados Unidos, "discutem uma reforma da OMC" que poderia ser uma saída, observou ele.

As tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, mas também com seus aliados europeus, aumentaram nos últimos meses, tendo sido marcadas por um aumento das medidas de retaliação por todos os lados.

Até agora, Washington impôs tarifas sobre 250 bilhões de dólares em importações chinesas. E Pequim reagiu impondo tarifas sobre 110 bilhões de dólares em mercadorias americanas.

E essas tensões já estão tendo repercussões econômicas, ressaltou o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Angel Gurria.

"Este ano, o crescimento não parece tão bom" como no ano passado, e "a diferença é o comércio, as tensões, o protecionismo, as medidas de retaliação", constatou.

Após um período de recuperação, "começamos a fazer coisas e desaceleramos", lamentou o mexicano.

O FMI reduziu sua previsão de crescimento do PIB global a 3,7% para 2018 e 2019 (-0,2 ponto), o mesmo nível de 2017, após uma revisão similar em baixa para OCDE.

Em um relatório divulgado nesta quarta-feira, a instituição de Washington também levantou preocupações sobre a capacidade do sistema financeiro internacional de resistir a uma nova crise.

"Novas vulnerabilidades surgiram e a resiliência do sistema financeiro global ainda precisa ser verificada", disse a instituição em seu Relatório Global de Estabilidade Financeira (GFSR).

- Complacência ante riscos -O FMI observa que os participantes no mercado financeiro global "parecem complacentes" em relação aos riscos potenciais que podem surgir de um ambiente financeiro que é mais complicado, como o aumento das taxas de juros ou o acesso limitado ao capital.

Desde o último relatório, em abril, do FMI sobre a estabilidade financeira, as condições econômicas têm sido menos favoráveis e a diferença está aumentando entre países desenvolvidos e emergentes.

"Um ano atrás, eu disse que quando o sol brilha, é hora de consertar o telhado. Mas nós não vimos muitos telhados consertados", disse Christine Lagarde.

"A tendência era ascendente no ano passado, mas agora o crescimento econômico chegou a um patamar em precisamos agir", insistiu.

Ela incentivou os países emergentes a desenvolver mecanismos para amortizar as crises, permitir que sua moeda flutue e usar o capital excedente acumulado nos anos anteriores.

As condições financeiras na Europa e em outros países desenvolvidos continuam "relativamente favoráveis", acrescenta o relatório.

A reunião anual do FMI e do Banco Mundial, que ocorre a cada três anos fora da sede de Washington, reúne de terça a domingo em Bali a elite financeira de 180 países, com mais de 30.000 participantes esperados em todos os eventos combinados, de acordo com as autoridades indonésias.

Os ministros das Finanças do G20 devem se reunir na ilha em paralelo, assim como os chefes de Estado da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) na quinta e sexta-feira.

bur-pb-lgo/evs/mr

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