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Setor de carne francês protesta contra possível acordo com Mercosul

13/05/2019 15h15

Paris, 13 Mai 2019 (AFP) - O setor de carne na França, dos criadores de gado até os açougueiros, expressou sua preocupação em uma carta aberta à Comissão Europeia diante da possibilidade de Bruxelas chegar a um acordo comercial com os quatro países do Mercosul - Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

"Como não estar inquietos quando a Comissão europeia parece mais decidida a alcançar um acordo com o Mercosul ou a retomar as negociações comerciais com os Estados Unidos - o que significa oferecer a nossos cidadãos cada vez mais carne que não cumpre as normas ambientais, sanitárias e de bem-estar que impomos a nós mesmos -, que a proteger a saúde dos consumidores e a sustentabilidade de nossas atividades?", questionou o presidente da Interprofissional da Carne (Interbev), Dominique Langlois.

Ele ainda demonstrou preocupação com os sinais "negativos e contraditórios" enviados pela Europa acerca da soberania alimentar do continente e da luta contra o aquecimento global.

"Embora devesse oferecer a seus setores os meios para produzir, processar e comercializar localmente", a Europa "prefere submeter" os produtores e processadores a uma "concorrência internacional desleal, com grandes volumes de carne que não cumpre nenhuma norma", acrescenta Langlois.

Além disso, ele critica a "estigmatização da carne vermelha", enquanto o setor pecuário francês "se comprometeu" em favor de "comer melhor".

Sobre um possível acordo entre a UE e o Mercosul, o secretário do Comércio Exterior do Brasil, Lucas Ferraz, disse à agência Bloomberg em 8 de maio que um acordo comercial "nunca esteve tão próximo". "Fizemos mais progressos em quatro meses do que em 20 anos", garantiu.

A França, que sempre defendeu seus agricultores, não bloqueia mais as concessões sensíveis no setor agrícola para abrir as fronteiras da UE aos produtos sul-americanos, acrescentou. Em sua opinião, é o Brasil que deve concluir os trabalhos técnicos para avançar.

No cenário mais otimista, citado pela Bloomberg, um acordo de princípio poderia ser alcançado nesta semana durante uma rodada de negociações em Buenos Aires ou, na falta deste, em junho, após as eleições europeias.

O acordo UE-Mercosul, que está em discussão há quase 20 anos, é o maior já assinado pelos europeus.

As negociações, que pareciam estar prestes a se materializar nos últimos meses, colidiram com as divergências entre o Brasil e a UE, especialmente em termos de acesso de carne e açúcar aos países da UE e ao setor automotivo.

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