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FMI: 'prioridade imediata' do G20 é resolver tensões comerciais

05/06/2019 14h28

Washington, 5 Jun 2019 (AFP) - A economia global se encontra diante de uma "conjuntura delicada" que requer que os bancos centrais mantenham os estímulos e que os governos resolvam rápido as disputas comerciais - advertiu nesta quarta-feira (5) a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde.

"A prioridade imediata é resolver as atuais tensões comerciais", disse Lagarde em um artigo publicado no blog da entidade destinado aos ministros das Finanças do G20 e aos bancos centrais antes da reunião no Japão semana que vem.

A mensagem para o G20 intitulada "Como ajudar, não dificultar, o crescimento mundial" afirma que os bancos centrais devem manter os estímulos até que a inflação se confirme e que devem ficar prontos para fazer mais, caso o crescimento se desacelere.

Lagarde disse que a troca de tarifas entre os Estados Unidos e a China, as maiores economias do mundo, freará o crescimento de ambos e também cortará alguns pontos na economia global.

"Estas feridas autoinfligidas devem ser evitadas", disse.

Para ela, a solução é retirar as barreiras comerciais erigidas recentemente e evitar instaurar novas.

Os altos funcionários se reúnem poucas semanas depois do os Estados Unidos e a China, membros do G20, intensificaram sua disputa comercial, em meio a acusações mútuas de que o outro havia descumprido promessas, lançando uma nova rodada de tarifas punitivas.

O presidente americano, Donald Trump, ameaçou estender as tarifas a todas as importações chinesas. Além disso, na semana passada anunciou que vai impor tarifas aos produtos do México até que o país ajude os Estados Unidos a interromper o fluxo migrantes ilegais centro-americanos.

- Retirar obstáculos -Lagarde defendeu que os governos ajudem "a reduzir as tensões comerciais e retirar outros obstáculos que estão no caminho para voltar a um crescimento maior e mais sustentável".

"O objetivo tem que ser ajudar, não dificultar, o caminho do crescimento global", afirmou Lagarde.

Em suas declarações antes da reunião, o FMI disse que outros conflitos comerciais como o Brexit fazem com quem "dúvidas sobre a força da recuperação persistam", gerando a necessidade de políticas para continuar impulsionando o crescimento.

"Com a economia global que continua em uma conjuntura delicada, a mistura de políticas deve ser calibrada com cuidado", alertou o FMI.

Para Lagarde, num contexto de inflação abaixo das metas estabelecidas por muitos bancos centrais, é preciso que os responsáveis pelas políticas monetárias mantenham os estímulos até que "os próximos dados confirmem que as pressões inflacionárias atinjam os objetivos".

Lagarde lembrou que, em abril, o FMI reduziu suas previsões de crescimento global a 3,3% para 2019, mas espera que a expansão se acelere a 3,6% em 2020.

Contudo, ela lembrou que as tarifas entre Estados Unidos e China pode cortar 0,5 ponto do PIB global no ano que vem.

Utilizando um provérbio japonês, para homenagear o lugar onde se celebra a reunião, Lagarde disse "Cruze um rio pouco profundo como se fosse" e insistiu que, para os países do G20, "cruzar o rio" implica trabalhar em conjunto para ajudar e não dificultar a esperada recuperação do crescimento.

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