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Palestinos rejeitam plano econômico proposto pelos EUA

26/06/2019 10h03

Manama, 26 Jun 2019 (AFP) - Os líderes econômicos reunidos no Bahrein comentaram com otimismo um plano de desenvolvimento americano para os territórios palestinos, que as autoridades palestinas denunciam como uma tentativa de impor uma solução do conflito favorável a Israel.

Jared Kushner, genro e assessor do presidente americano Donald Trump, propôs a iniciativa intitulada "Da paz à prosperidade", apresentando-a como "a oportunidade do século" para os palestinos, vítimas de uma crise econômica crônica.

Conhecido por sua proximidade com Israel, Kushner alertou os palestinos, cujos representantes boicotaram a reunião, que a aceitação do plano é um pré-requisito para qualquer acordo de paz.

Esse projeto inclui a arrecadação de 50 bilhões de dólares em investimentos em infraestrutura, turismo, ou educação, com a criação de um milhão de empregos.

No segundo e último dia da conferência, realizada em um hotel em Manama, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, estimou que era possível reviver a economia palestina e elogiou o enviado americano por se concentrar na criação de empregos.

"Se há um plano econômico e se há urgência, devemos garantir que o impulso seja mantido", disse ela.

"Isso exigirá toda a boa vontade de todas as partes do mundo - setor privado, setor público, organizações internacionais, partidos locais e seus vizinhos", ressaltou.

- "Luta contra a corrupção" -O FMI alertou para uma grave recessão na economia palestina. Parte dos impostos cobrados pela Autoridade Palestina está bloqueada por Israel, que mantém a Faixa de Gaza, controlada pelo movimento islâmico Hamas, sob um bloqueio cerrado há mais de uma década.

Citando exemplos de países em situação de pós-conflito, Lagarde declarou que os investidores privados precisam de medidas como o fortalecimento do banco central, uma melhor gestão das finanças públicas e a mobilização das receitas domésticas.

"Se a luta contra a corrupção for um dos imperativos das autoridades - como foi o caso em Ruanda, por exemplo - então as coisas podem realmente decolar", disse ela.

Para a Autoridade Palestina, porém, os Estados Unidos preconizam uma ajuda econômica para impor suas ideias e soluções que lhe seriam desfavoráveis.

Washington já deu o importante passo de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e transferiu sua embaixada para lá, enquanto os palestinos esperavam fazer de Jerusalém Oriental a capital do Estado a que aspiram.

O governo americano também sugeriu que o componente político de seu plano pode não fazer referência a um Estado palestino.

O secretário-geral da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, disse que o governo Trump "pressiona pela normalização e apoia o empreendimento colonial israelense por meio de seu apoio à ocupação da Palestina".

Milhares de manifestantes palestinos protestaram nesta quarta-feira na Faixa de Gaza contra a realização desta conferência.

- "Perda de tempo"Em Manama, um fato sem precedentes, pesquisadores e jornalistas israelenses, convidados pela Casa Branca, reuniram-se esta manhã com autoridades dos países árabes do Golfo.

O ministro de Estado saudita, Mohammed al-Shaikh, uma das principais figuras econômicas do reino, disse que espera que o setor privado participe do sucesso do plano Kushner.

Ele lembrou que a assinatura dos acordos de Oslo, em 1993, foi seguida por um fluxo significativo de dinheiro governamental.

"Se conseguimos fazer isso há 25 anos com muito menos dinheiro, tenho certeza de que isso pode ser feito hoje com dinheiro e participação do setor privado", afirmou.

Esse otimismo não é compartilhado por outras nações árabes. Jordânia e Egito, os únicos dois países árabes a assinarem um acordo de paz com Israel, enviaram apenas representantes para Manama, e Amã disse que a conferência não poderia substituir um acordo de paz político equilibrado.

O sultanato de Omã, que não foi à conferência, anunciou sua intenção de abrir uma "embaixada" nos Territórios Palestinos.

O grupo de pesquisa americano Soufan Group considerou que os Estados Unidos teriam dificuldade em serem considerados um intermediário imparcial nessa questão.

"Para todos aqueles que olham de perto, esta reunião é uma perda de tempo", estimaram os especialistas do Soufan.

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