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Fed diz que incertezas pesam sobre economia dos EUA

10/07/2019 16h09

Washington, 10 Jul 2019 (AFP) - O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell, deixou em aberto a possibilidade de reduzir as taxas de juros americanas neste mês, enquanto perspectivas econômicas do país enfrentam "riscos" provocados por "tensões comerciais e incertezas".

Em um aguardado discurso no Congresso, Powell disse que muitos membros do Fed acreditam que no mês passado as razões para a redução das taxas foram "fortalecidas" devido às crescentes "marés de baixa" na economia.

O presidente Donald Trump manteve uma pressão constante para o Fed afrouxar sua política monetária cortando os juros como forma de estimular a economia.

Nesse sentido, os mercados financeiros também esperavam um sinal claro do Fed, já que um relatório sobre a forte criação de empregos nos Estados Unidos na sexta-feira fez os analistas pensarem que o banco central poderia esperar antes de baixar as taxas.

Powell não foi explícito, mas em seu pronunciamento perante um comitê da Câmara dos Representantes, ressaltou que o Fed anunciou que "agiria apropriadamente para sustentar a expansão" da economia.

Depois de elevar os juros nove vezes desde 2015, com o crescimento constante da economia, em dezembro o Fed começou a dar sinais de eventuais cortes devido a indícios de desaceleração econômica.

E Powell disse que desde a reunião do Fed no mês passado, "parece que as incertezas sobre as tensões comerciais e preocupações sobre a força da economia global continuam a pesar sobre as perspectivas econômicas dos Estados Unidos".

Ao mesmo tempo, os indicadores de preços mostram que a inflação permanece abaixo da meta de 2% estabelecida pelo Fed.

- Cumprir o mandato -"As pressões inflacionárias permanecem nulas", disse ele. "E existe o risco de que a inflação fraca persista mais do que esperávamos".

Powell rejeitou os ataques de Trump à política monetária e disse que o Fed não presta atenção à política.

Quando questionado, Powell disse que se recusaria a renunciar se solicitado. "Claro que não", respondeu Powell. A lei "claramente me dá um mandato de quatro anos e eu quero cumpri-la", acrescentou Powell, escolhido para o trabalho pelo próprio Trump.

Powell disse que, por causa da agressiva política comercial do presidente, especialmente com a China, empresas e produtores agora "mostram maiores preocupações" sobre a economia dos EUA.

Ao mesmo tempo, o crescimento decepcionante da China e da Europa gera medo de que a desaceleração econômica global afete os Estados Unidos, o que atrasou investimentos e diminuiu a confiança, afirmou.

Embora o PIB dos EUA tenha crescido 3,1% no primeiro trimestre, Powell disse que a taxa foi baseada em fatores como as exportações "que geralmente não são um indicador confiável do atual momento" da economia.

Kathy Bostjancic, da Oxford Economics, prevê três cortes de juros até janeiro, o que reverteria os aumentos do ano passado, mas indicou que o Fed não reduzirá em 0,5 ponto, como esperado pelos mercados financeiros.

"O tom geral de seus comentários corrobora nossa visão de que, após um corte de 25 pontos-base em julho, haverá outro em setembro, enquanto as correntes mundiais contrárias continuarem gerando riscos", disse ela em nota.

- Preocupação com moeda do Facebook -Powell também afirmou no Congresso que a criptomoeda do Facebook, a Libra, gera "grandes preocupações" acerca de questões como "respeito à informação pessoal, proteção ao consumidor e estabilidade financeira".

O presidente do Fed acrescentou que o processo de exame de Libra, o projeto monetário da maior rede social do mundo, "deve ser paciente e minucioso, e não uma corrida".

Essa moeda pode ser "amplamente adotada", levando em conta que o Facebook tem cerca de 2 bilhões de usuários, disse Powell.

"Em caso de problemas relacionados à lavagem de dinheiro (...), ela rapidamente se tornaria muito importante, devido ao tamanho da rede", alertou.

O projeto Libra "não pode avançar" até que as dúvidas sobre os riscos de lavagem de dinheiro sejam examinadas de perto, insistiu o presidente do banco central americano.