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Brasil busca parceiro privado para reiniciar obras de Angra 3 em 2020

01/08/2019 21h35

Angra dos Reis, Brasil, 2 Ago 2019 (AFP) - A construção da usina nuclear Angra 3, paralisada desde 2015 e mergulhada em escândalos de corrupção, deveria ser retomada no fim de 2020 com um parceiro privado e já há três grandes grupos internacionais em disputa.

"O edital estará pronto até o final do ano para que no início do próximo ano seja decidido efetivamente quem será esse parceiro", explicou nesta quinta-feira (1) Leonam Guimarães, presidente da Eletronuclear, encarregada pelo programa nuclear brasileiro.

"A pesquisa de mercado envolveu 11 empresas internacionais, mas três tiveram uma participação muito ativa e vêm discutindo com a Eletronuclear há muito tempo: [o grupo francês] EDF, [o chinês] Rosaton e [o russo] CNMC", informou Guimarães.

A EDF tem a vantagem de possuir a tecnologia do reator, desenvolvida por sua filial, Framatome, embora os chineses e os russos poderiam dispor de maiores facilidades de financiamento deste projeto de 1.400 Megawatts.

As obras de Angra 3, iniciadas em 1984 e paralisadas várias vezes, já custaram 7 bilhões de reais.

A Eletronuclear avalia que já tenha executado 63% do projeto, situado na praia de Itaorna, em Angra dos Reis, a 200 km do Rio de Janeiro, e que para completá-lo são necessários 15 bilhões de reais adicionais.

Por enquanto, só é possível ver dois grandes blocos de concreto: um, retangular, reservado às turbinas, e o outro, em forma de cúpula, onde ficará o reator.

A 300 metros ficam as duas primeiras usinas nucleares do Brasil, Angra 1 - em atividade desde 1984 - e Angra 2, que começou a operar em 2001, com um modelo similar ao que terá Angra 3.

As duas geram 3% da energia consumida no Brasil (e 40% da utilizada no Rio), em um país onde três quartos da eletricidade provêm de usinas hidrelétricas.

A Eletronuclear espera começar a gerar eletricidade em Angra 3 na segunda metade de 2025 e a comercializá-la no primeiro semestre de 2026.

"Não tenho dúvida de que será cumprido esse prazo. Existe uma vontade, uma política muito forte do atual governo no sentido de conclusão das obras", declarou Guimarães.

As obras de Angra 3 foram paralisadas por problemas financeiros, relacionados a dificuldades econômicas no país e a escândalos de corrupção que têm entre seus investigados o ex-presidente Michel Temer, antecessor de Jair Bolsonaro.

A expansão da energia nuclear no Brasil, segundo Guimarães, não deve se limitar a esta terceira usina em Angra.

"Recebemos uma visita de um fundo russo-chinês disposto a apoiar projetos nucleares no Brasil depois de Angra 3", disse o presidente da Eletronuclear.

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