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Juros americanos estão 'no patamar correto', diz membro do Fed à AFP

06/08/2019 16h30

Washington, 6 Ago 2019 (AFP) - James Bullard, um membro do Comitê Monetário do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), considera que as taxas de juros estão "no patamar correto", em uma nova mensagem de independência em relação ao governo de Donald Trump - que demanda maior estímulo monetário.

O banco central já "fez muito" para apoiar o crescimento, afirmou Bullard, presidente de Fed de San Luis (Missouri), en entrevista à AFP nesta terça-feira.

Ele foi um dos primeiros membros do comitê a defender um corte dos juros que se concretizou em 31 de julho, diante da inflação fraca e de tensões comerciais, especialmente entre China e Estados Unidos.

Contudo, Bullard considera que o Fed "não pode, de maneira realista, condicionar sua política monetária a uma guerra comercial de olho por olho".

Após a redução de 0,25 ponto dos juros na semana passada, a primeira em 11 anos, os mercados financeiros ainda contam com pelo menos dois cortes antes do fim do ano, num contexto em que a guerra comercial se intensificou, com as acusações dos EUA de manipulação do yuane.

- Considerar a incerteza -"Já levamos em conta que haverá muita incerteza em relação às políticas comerciais", disse ele, acrescentando que antes de decidir por um novo corte de juros, eles querem "medir a evolução da economia".

Embora Bullard tenha defendido a redução do custo do crédito desde junho (ele foi o único que votou contra a decisão de deixar as taxas como estavam na reunião de 19 de junho), nesta terça-feira foi mais cauteloso sobre a necessidade de continuar nesta via de relaxamento monetário.

Ele observou que o Fed tinha claramente "mudado de direção" nos últimos seis meses. "Fazer mais, ou não", em termos de acomodação monetária, "dependerá dos dados econômicos", insistiu ele.

Antes de qualquer ajuste futuro, "queremos ver qual foi o impacto da flexibilidade que decidimos", já que a economia dos EUA está se comportando "muito bem".

A próxima reunião monetária do Fed será no dia 18 de setembro.

- Decisões independentes da pressão política -Questionado sobre a independência do Fed, sob pressão constante do presidente Donald Trump para reduzir os juros, Bullard disse que a agência "tomou suas decisões como sempre fez". "Há sempre pressões políticas", disse ele, minimizando o efeito dos tuítes hostis de Trump.

Na terça-feira, quatro ex-presidentes de bancos centrais pediram publicamente ao presidente, mas sem mencioná-lo, que respeitasse a independência da instituição. Em um artigo no Wall Street Journal assinado por Paul Volcker, de 91 anos, Alan Greenspan, de 93, Ben Bernanke, de 65, e Janet Yellen, de 72, os quatro defendem que "para que o Fed e seu presidente atuem de forma independente, livre de pressões políticas de curto prazo e, em particular, da ameaça de demitir os líderes do Fed por razões políticas ".

"Foi uma carta muito bonita", disse Bullard sobre a declaração incomum em tom solene escrita por ex-diretores do Fed, democratas e republicanos.

"É sempre bom lembrar às pessoas por que a sociedade decidiu executar a política monetária dessa maneira", através de uma instituição independente, diz Bullard.

O corte de juros do Fed não ameaça a estabilidade financeira no futuro imediato, diz ele, pressionando os investidores a assumir riscos para obter mais lucros.

"Sou sensível a essa questão, mas não acho que seja necessário parar muito nela. Não detecto uma bolha da magnitude da bolha da internet, ou da bolha imobiliária", dois episódios financeiros que levaram às últimas recessões de 2001 e 2008.

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