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Disney digere mal compra da Fox

07/08/2019 10h58

Washington, 7 Ago 2019 (AFP) - A Disney admitiu nesta terça-feira (7) estar digerindo mal sua megaoperação com a 21 Century Fox, mas está animada com o lançamento, em novembro, de sua plataforma de streaming Disney+, que representa uma ameaça para o domínio da Netflix.

No terceiro trimestre, encerrado em junho, a Disney acumulou ganhos decepcionantes, apesar de uma série de estrondosos sucessos nos cinemas. No final de julho, "Vingadores: Ultimato" se tornou o filme com maior bilheteria da história do cinema.

O lucro líquido da Disney chegou a 1,437 bilhão de dólares, em queda de 51%. Em alta de 33%, o volume de negócios bateu 20,245 bilhões, e o ganho por ação, a US$ 1,35, decepcionou Wall Street.

A aquisição da 21 Century Fox (21 CF) em dezembro de 2017 por US$ 71 bilhões teve um impacto negativo duas vezes maior do que o previsto no lucro por ação, devido ao estúdio de cinema e ao canal de esportes Star na Ásia.

O estúdio perdeu sozinho US$ 170 milhões no terceiro trimestre por causa do fracasso de "X-men: Fênix Negra", a última aventura da franquia "X-Men" na Fox.

Os três últimos meses do exercício também devem ser afetados.

Em teleconferência com analistas financeiros, o CEO do grupo, Bob Iger, reconheceu que o desempenho do estúdio estava "bem aquém do que havia conseguido no passado e muito aquém do que esperávamos quando fizemos a aquisição".

Para ele, o longo período entre o anúncio da aquisição e a integração final no segundo trimestre de 2019 teve um papel fundamental em "uma atividade que requer decisões e uma atenção aos detalhes constantes".

"Tenho confiança que conseguiremos reverter a situação (...) e vocês verão resultados em dois anos", prometeu.

- Aposta alta na Disney+ -A Disney prevê para 12 de novembro o lançamento da Disney+, sua plataforma de streaming que deve concorrer diretamente com o gigante do setor, a Netflix. O grupo aposta alto no sucesso da Disney+, que reunirá todo o catálogo família do reino encantado da empresa.

A oferta para um público mais adulto será pela plataforma de difusão Hulu, da qual a Disney assumiu o controle operacional e da qual detém 60%.

"A Disney+ será o serviço de streaming exclusivo da nossa ampla videoteca de filmes e de séries de TV, de todo o conteúdo da National Geographic, de todos os filmes Disney, Pixar, Marvel e Star Wars que vão chegar e uma enormidade de programas originais de qualidade", afirmou Iger.

A promoção da nova plataforma vai começar agora em agosto. Para torná-la mais atrativa, Iger anunciou que o grupo vai propor um combo Disney+, ESPN e Hulu por US$ 12,99 dólares por mês. A Disney+ sozinha custará US$ 6,99 dólares, enquanto a Netflix tem planos entre US$ 9 e US$ 16.

Antecipando tempos melhores, o CEO da Disney mencionou os blockbusters que poderão ser vistos na Disney+: "Vingadores: Ultimato", "Toy Story 4", "Aladdin", "O rei leão", ou ainda "Capitã Marvel".

Desde o início do exercício, os estúdios Disney ganharam 8 bilhões de dólares, "um recorde para o setor", declarou Iger. Segundo ele, até o fim do ano, a Disney vai lançar títulos que devem levar multidões aos cinemas, como "Frozen 2" e "Star Wars: The Rise of Skywalker".

No terceiro trimestre, os estúdios de cinema da Disney registraram um volume de negócios de 3,8 bilhões de dólares, em alta de 33%, e um lucro operacional de 792 milhões de dólares, em alta de 13%.

As recentes manifestações às vezes violentas em Hong Kong também afetam a frequência do parque Disney, reconheceu Iger.

"Vocês sentirão os efeitos disso (das manifestações) nos resultados do trimestre em curso (...) elas causaram perturbações que reduziram o número de visitantes", explicou, acrescentando, porém, que o parque Disneylândia de Xangai não foi mais afetado por isso do que pelas tensões comerciais entre Pequim e Washington.

vog/leo/tt

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