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Exportadores chineses se adaptam para sobreviver à guerra comercial de Trump

13/08/2019 16h43

Pequim, 13 Ago 2019 (AFP) - Afetados pela guerra comercial com Washington, os exportadores chineses precisam se reinventar para sobreviver, com descontos e produtos, enquanto alguns mentem sobre a origem de seus produtos.

Grandes indústrias, processadores de frutos do mar, produtores de sucos de laranja, ou agricultores. Todos viram as atividades serem afetadas pelas tarifas americanas.

Desde junho, Washington impôs tarifas de 25% sobre 250 bilhões de dólares em produtos chineses. E a ameaça do presidente americano de taxar em 10%, a partir de setembro, outros 300 bilhões complica a situação.

"Isso tem consequência para nós. Nossos orçamentos incluem agora o custo das tarifas", explica um comerciante de uma empresa de sucos de frutas sediada em Shaanxi (norte), que se identificou apenas como Liu.

As exportações chinesas de suco de maçã caíram 93% no primeiro semestre do ano.

A empresa Hengtong Fruit Juice, que vende quase todos seus produtos no exterior, e algumas de suas filiais tiveram que colocar seu maquinário como garantia em empréstimos.

O setor da criação de peixes e frutos do mar também foi muito afetado. A China é o maior provedor de tilápia congelada do mercado americano, mas as exportações desse peixe diminuíram nesse ano. Os piscicultores chineses tiveram que recorrer ao mercado interno.

"Os Estados Unidos aproveitam sua posição nesse mercado para pressionar muitos fornecedores chineses", lamenta uma das empresas, a Hainan Tilapia Sustainability Alliance.

A gigante chinesa da tilápia, Zhaoqing Evergreen Aquatic, modernizou sua fábrica para se voltar ao mercado chinês, segundo o portal Undercurrent News.

- Origem enganosa -Mas se concentrar nos consumidores chineses nem sempre é uma tarefa fácil.

"A tilápia funciona muito bem nos Estados Unidos porque é empanada. Mas é um peixo um pouco sem graça. Na China, preferem peixe que realmente parece peixe", explica Even Pay, analista da China Policy, especializada em produtos agroalimentícios.

Noutros setores, os exportadores precisam reduzir a margem de lucro.

"Reduzimos nossos preços no mercado americano para poder absorver parte das tarifas", afirma Andy Zhou, de Anytone, fabricante de equipamentos de telecomunicação.

As exportações de material de rádio para os EUA diminuíram em 33 milhões de dólares no primeiro semestre, contra 230 milhões um ano antes.

Zhou voltou-se, então, para os mercados europeu e asiático, numa tentativa de recuperar as vendas.

Contudo, alguns de seus concorrentes tiveram menos escrúpulos, e não titubeiam em etiquetar seus produtos para enganar sobre o país de origem e evadir as tarifas.

Outras companhias enviaram seus produtos ao Vietnã, para fazê-los se passar por bens fabricados no país vizinho.

Temendo a reação de Trump, o Vietnã prometeu punir fabricantes chineses que utilizem essas tarjas fraudulentas.

Algumas empresas chinesas descentralizaram sua produção - como a fabricante de têxteis Jasan Group, que fornece para Adidas e Nike - para outros países.

As medidas dos EUA podem beneficiar alguns produtores chineses, particularmente de soja, já que Pequim comprava muita soja americana antes da guerra comercial.

"O governo nos incentiva a comprar mais soja. Nossa renda aumenta graças aos subsídios", diz o agricultor Sun Changhai. Mas a produção chinesa de soja é insuficiente para a demanda do país, que depende de importações, principalmente dos Estados Unidos.

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