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Presidente do Equador continuará reformas, apesar dos protestos

21/01/2020 12h48

Davos, Suíça, 21 Jan 2020 (AFP) - Em entrevista à AFP nesta segunda-feira (21), em Davos, o presidente do Equador, Lenín Moreno, garantiu que levará as reformas econômicas no país adiante, apesar dos violentos protestos de outubro, e voltou a pedir uma "solução democrática viável" para a Venezuela.

"Mas claro que sim", frisou Moreno, referindo-se à continuidade das reformas.

Moreno está no Fórum Econômico Mundial, na estação de esqui suíça, onde ele participa de várias reuniões até sexta-feira.

"A verdade é que os protestos de outubro afetaram bastante a economia, em quase mais de 800 milhões de dólares, o que, para a economia equatoriana, é uma cifra considerável", afirmou.

"Infelizmente, as manifestações totalmente legais e constitucionais foram acompanhadas de grupos de vândalos (...) Estavam tentando queimar as provas de corrupção do governo anterior", denunciou Moreno.

Os protestos tomaram as ruas depois do anúncio do presidente sobre o corte dos subsídios aos combustíveis. A medida era parte de um acordo de austeridade firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Liderados por grupos indígenas, os atos foram marcados pela violência, atribuída pelo atual presidente aos partidários de seu antecessor e ex-aliado Rafael Correa. Hoje, ele vive na Bélgica e é procurado pela Justiça equatoriana, acusado de corrupção.

Nas manifestações, que duraram vários dias, dez pessoas morreram, e mais de 1.300 ficaram feridas.

A crise terminou em 13 de outubro passado com um acordo entre o governo e os indígenas para revogar o polêmico decreto que eliminava os subsídios.

Em relação à possível participação de Correa nas eleições de 2021, Moreno disse que "nunca deve preocupar a participação democrática de qualquer pessoa". Ele lembrou, porém, que seu ex-aliado é um "foragido da Justiça acusado de gravíssimos atos de corrupção".

Moreno voltou a pedir uma solução para a Venezuela e reiterou seu apoio ao líder opositor, Juan Guaidó, reconhecido como presidente encarregado por cerca de 50 países, frente ao governo "autoritário e ditatorial" de Nicolás Maduro.

"O Equador, país solidário como é, acolheu cerca de 400.000 venezuelanos e concedeu visto humanitário a 160.000. É a atitude de um país irmã, mas, ao mesmo tempo, exigimos (...) uma saída democrática viável para a democracia na Venezuela", afirmou.

Guaidó foi ratificado em 5 de janeiro de 2019 como chefe do Parlamento e, no dia 23, proclamou-se presidente interino da Venezuela. Ele alega que a reeleição de Maduro, em 2018, foi realizada de forma "fraudulenta".

pc/mb/tt