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Fed mantém juros dos EUA, mas está atento a coronavírus

29/01/2020 19h34

Washington, 29 Jan 2020 (AFP) - O Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) manteve, nesta quarta-feira, suas taxas de juros, mas reiterou que está acompanhando os "acontecimentos mundiais" para decidir os próximos passos.

O presidente do Fed, Jerome Powell, disse que embora a economia pareça ter se estabilizado, o letal coronavírus que começou a se propagar na China é um risco em potencial.

O surto dessa doença semelhante ao Sars matou cerca de 130 pessoas na China, onde milhares estão infectadas. As companhias aéreas cancelaram voos, milhões de pessoas foram confinadas em suas cidades e várias empresas interromperam o trabalho.

Essa situação de saúde pode agravar as atuais dificuldades de crescimento que a China sofre e também pode afetar outras economias se as cadeias de suprimentos que fluem do país asiático forem perturbadas.

"Notoriamente haverá pelo menos implicações de curto prazo para a produção da China e acredito que também para seus vizinhos", disse Powell em entrevista coletiva após o encerramento da reunião de política monetária do Fed.

No entanto, ele acrescentou: "a situação está realmente em seus estágios iniciais e ainda é incerto saber até que ponto ela pode ser estendida e quais efeitos macroeconômicos ela terá".

"Estamos monitorando cuidadosamente a situação", afirmou.

Para Powell, ainda há espaço para um "otimismo cauteloso" em relação à economia mundial, mas ele esclareceu que "nada está garantido" porque existem incertezas pendentes - às quais o vírus agora se soma.

O Comitê de Política Monetária (FOMC) da entidade ajustou as expectativas para que as taxas continuem na faixa de 1,50 a 1,75%.

- Vigilância -Em seu comunicado, o FOMC também disse que espera que a inflação nos EUA tenha um ligeiro aumento para atingir a meta de 2%.

Depois de cortar as taxas três vezes no ano passado para estimular a economia dos EUA em meio às guerras comerciais do presidente Donald Trump, esta foi a segunda reunião de política monetária na qual os juros ficaram intactos.

O comunicado reiterou que os membros do Fed "continuarão monitorando" a inflação e o desenvolvimento de eventos globais que podem influenciar as perspectivas econômicas. No entanto, a declaração se concentra principalmente na economia doméstica.

O FOMC alerta que os gastos das famílias estão "crescendo em ritmo moderado"; que é uma mensagem um pouco menos otimista do que em dezembro. Uma desaceleração do consumo, associada a investimentos e exportações "fracos", pode comprometer a capacidade do Fed de atingir sua meta de inflação de 2%. Atualmente, a inflação é de 1,5%.

A manutenção dos juros não deve agradar Trump, que reiteradamente atacou Powell e o Fed pedindo uma taxa de 0% para defender a economia americana, diante de juros menores aplicados em outros países, que lhe dá mais competitividade.

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