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Paralisados por epidemia de coronavírus, chineses tentam voltar ao trabalho

10/02/2020 10h53

Pequim, 10 Fev 2020 (AFP) - Perto da Grande Muralha, o "hostel" da família Li não tem um único hóspede, e o supermercado próximo está vazio. Em uma China paralisada pela epidemia do novo coronavírus, a retomada da atividade econômica prevista para esta segunda-feira (10) se anuncia bastante lenta e complicada.

Normalmente, no recesso pelo Ano Novo Lunar, o albergue da granja Yingfangyuan, cercado de idílicas colinas nevadas ao norte de Pequim, está lotado.

"Temos até dez mesas de clientes nesta época", afirmou a dona, Wang Li, de 35 anos.

"Mas agora não tem ninguém", lamenta ela, em conversa com a AFP.

As férias do Ano Novo, que começaram em 24 de janeiro, foram estendidas além dos tradicionais sete dias de descanso, visando a tentar frear a epidemia do coronavírus. O objetivo era estimular as pessoas a permanecerem no lugar em que estavam.

Em quase toda China, empresas e fábricas foram autorizadas a retomar suas atividades apenas a partir deste 10 de fevereiro.

Para Wang, contudo, assim como para várias empresas familiares em todo país, será complicado recuperar as perdas - sobretudo, em um contexto em que persistem as restrições a viagens e a deslocamentos.

Na localidade vizinha de Heishanzhai, controles de estrada impedem o acesso, com a esperança de impedir a propagação do vírus.

Yang, gerente do supermercado local, tem acumulado um grande estoque de caqui, tradicional presente de Ano Novo. "Este ano, ninguém visita ninguém", lamentou, em tom sombrio.

- Febre de trabalho remoto -O mesmo acontece com as grandes cidades. São raríssimos os clientes nos shoppings. Com várias lojas, a popular rede de "fondue" Haidilao mantém suas portas fechadas.

Em Pequim, ou Xangai, o tráfego volta a ser mais denso nesta segunda, após duas semanas de interrupção quase total. Permanece, no entanto, longe de seu fluxo normal.

A prefeitura de Xangai está estimulando as empresas a facilitarem o trabalho remoto.

Na última sexta-feira, a Câmara de Comércio americana desta cidade informou que, das 127 empresas ouvidas entre seus membros, 60% delas pretende impor "trabalho remoto obrigatório" nesta segunda-feira. E quase todas autorizam a trabalhar de casa.

Exemplo desta febre de trabalho remoto é o uso de comunicações e teleconferência em empresas como a DingTalk, que, na semana passada, anunciou cerca de 200 milhões de usuários ativos conectados.

- Quarentena -Nessas condições, com os transportes ainda fora de seu funcionamento normal, é difícil avaliar quando os 300 milhões de trabalhadores migrantes, que viajaram para suas regiões de origem, poderão (e se vão querer) voltar para suas fábricas e outros lugares de trabalho.

O gigante taiwanês do setor de eletrônica Foxconn, principal montador de iPhones, anunciou que vai impor uma quarentena a seus trabalhadores que voltavam para sua fábrica gigante de Zhengzhu (centro). E, seguindo determinações do governo, hoje a Foxconn mantém fechadas suas fábricas chinesas, noticia o jornal japonês "Nikkei".

No setor de automóveis, as fábricas da joint-venture Volkswagen-SAIC retomarão suas atividades apenas em 17 de fevereiro, à exceção de uma unidade em Xangai aberta nesta segunda, anunciou um porta-voz do fabricante alemão.

As fábricas chinesas da americana Ford abrem progressivamente a partir de hoje, mas o grupo prevê o retorno à normalidade apenas dentro de algumas semanas, disse um porta-voz.

Para as empresas em Wuhan, cidade totalmente paralisada e epicentro da epidemia, o caos ainda parece muito longe do fim.

Embora o comércio on-line possa se beneficiar de toda essa situação, o retorno à normalidade logística também é complicado em Wuhan. A empresa de entregas Shentong Express explicou ter "retomado suas atividades no conjunto de sua rede", mas advertiu que a prioridade é para entregas de material médico.

bys-dan-jug/bar/cf/me/zm/tt

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